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Os Benefícios Cognitivos da Prática da Observação Silenciosa

O ato de estar consciente da Inquietude da própria Mente, já é Disciplina...
"Se o ensinamento não visa a liberdade consciencial, não pode ser chamado de ensinamento..."
Os Benefícios Cognitivos da Prática da Observação Silenciosa

A Criança aprende cordialidade e respeito quando também assim é tratada em seu meio ambiente...

Qual o significado e as repercussões de uma Mente Inquieta?

O ato de estar consciente da Inquietude da Mente, já é Disciplina...

Parece que a inquietude da mente acaba por transformar o indivíduo em um eterno insatisfeito, e como consequência disso, alguém sempre frustrado em tudo que realiza ou tenta realizar. É aquele indivíduo ansioso que tende a se enfastiar rapidamente depois de ter alcançado um objetivo qualquer, e o desânimo seguido pelo tédio torna-se um desdobramento natural em sua vida.

Uma criança inquieta, a despeito de suas idiossincrasias, quase sempre teve como espelho pais inquietos, ou foi criada em meio à inquietude. E mesmo que possua um temperamento sereno, a pressão sistemática da mesologia onde vive tenderá a corromper sua natureza original.

Não podemos negar que a pressa dos tempos modernos acaba por contagiar à quase todos com uma espécie de ansiedade de origem difusa e sem motivo aparente. É como se o imediatismo patológico fosse o estado natural do homem, ao invés de uma exceção.

E confunde-se pressa e ansiedade com determinação e motivação. A ansiedade, embora necessária em alguns casos, na maioria das ocorrências é sempre de cunho negativo. Ocorre que esse estado libera uma grande quantidade de adrenalina na corrente sanguínea do indivíduo, desajusta seu metabolismo, afetando de forma dramática sua serenidade e lucidez, quesitos fundamentais quando se pretende pensar de modo equilibrado.

Motivação é um estado de permanente euforia, mas, paradoxalmente, sem aceleração do metabolismo. Trata-se de um estado onde o corpo libera hormônios benéficos à saúde física e mental. E a sensação é de pacificação íntima, vigilância, um senso incomum de organização e interesse em concluir todas as tarefas com as quais estamos comprometidos. Não há então cansaço por saturação, nem o sentimento de que há uma obrigação a cumprir, mas, apenas satisfação pelo dever cumprido.

Fisiologicamente a pressa cria um estado de euforia no indivíduo que se prolonga mesmo após o término daquela atividade. Na contramão, a motivação libera um estado de serenidade e autoconfiança com uma sensação de bem estar, antes, durante e depois.

E uma mente tomada pela preocupação está sempre desatenta. Por isso mesmo mais vulnerável aos erros ou falhas graves, o que acaba por se reverter em males diretos e indiretos para o indivíduo. Diante de uma preocupação de nível médio, nosso ego tende a ignorar seu semelhante, e assim nos tornamos insensíveis a dor alheia.

O instinto assume nosso controle emocional quando nos sentimos encurralados diante de algum perigo, ou na iminência de algo capaz de nos ameaçar. O instinto não tem senso ético, nem está sujeito a sentimentalismos, especialmente aqueles que evocam a razão humana. Quando movidos pela emoção instintiva nos tornamos brutos e cruéis, e o animal irracional que hiberna em nosso inconsciente assume o controle dos nossos atos; ali não há moral, ética ou bom senso.

Uma mente inquieta compromete de modo importante nosso potencial cognitivo, desvia nossa atenção, impede a assimilação clara do conhecimento. Por reflexo, tornar-se-á esse indivíduo um adepto da preguiça e acomodação, um partidário da vida fácil, onde o esforço nunca é visto com bons olhos. Um adulto inquieto é incapaz de se focar em alguma coisa, preferindo a dispersão e a ausência, em dissonância entre aquilo que faz e o que gostaria de fazer.

Não conseguirá se realizar plenamente em nenhum empreendimento que venha a idealizar. Será agressivo e frustrado por natureza, e é quase certo que não respeite o espaço do seu próximo. Será dominador e intransigente; intolerante e inflexível em seus argumentos, e imaginará que os outros deverão se submeter aos seus caprichos. Certamente, nos interrelacionamentos, buscará uma perfeição que não existe, e será uma fonte permanente de conflitos existenciais sérios.

Assim, o educador atento às consequências da inquietude juvenil ou infantil, deverá ter em mãos alguns recursos que poderão levar esses jovens, desde cedo, a lidar da forma adequada com esse estado mórbido.

Para que a criança descubra um pouco mais sobre si mesma, aprendendo como avaliar seu estado emocional, sentindo seu espírito a cada momento, apreciando sua verdadeira natureza ou examinando se seus sentimentos estão em ressonância com aquilo que está fazendo, será preciso que tome conhecimento de algumas técnicas.

E para que aprenda a superar isso de forma racional, sem fugas, ou ainda represando raivas ou mágoas, será imprescindível a ajuda do orientador. Ele irá ajudá-la a entender o que ela representa como entidade humana, se é capaz de descobrir qual sua função na vida, que valores são importantes e necessários para si, itens imprescindíveis para uma existência pacífica e plena.

O Papel do Pai ou Educador no exame e Compreensão dos Estados emocionais dos filhos ou alunos...

Mas, antes de começar, será necessário que o mestre experimente o processo em si mesmo. Uma experiência pessoal, embora seja um conhecimento intransferível, quando unimos a teoria à prática pela força da autoexperimentação, ganhamos capacitação para replicar o processo, de modo que os educandos tenham reais chances de assimilação.

Entender a si mesmo é interagir, estudar e aprender sobre aquilo que sentimos. É uma análise dos nossos pontos falhos e fortes; é a disposição para descartar nosso lixo psicológico e potencializar as virtudes.

Não se trata de um sentimento teórico coletado a partir de gabaritos ou questionários, mas da sensação viva extraída da vivência pessoal, o que só ocorre quando ouvimos nossos sentidos e compreendemos de forma lúcida sua linguagem permitindo que nos informem o que verdadeiramente está acontecendo.

É fácil entender textualmente o que significa para nós a palavra felicidade. Mas, a palavra felicidade é apenas uma concepção, com gabaritos, definições, protocolos e toda uma normatização social que serve para designá-la. No entanto, nada disso representa a felicidade em si, o estado psicossomático que de fato ela é. A palavra apenas expressa uma ideia do que poderia vir a ser felicidade, um mero modelo conceitual, uma utopia social, um mundo imaginário impossível de se manifestar através de vocábulos, expressões ou fórmulas.

Compreender que as palavras não são capazes de reproduzir nas pessoas aquilo que tentam descrever, isso já seria o primeiro sinal de inteligência. Podemos, por exemplo, observar todo nosso estado emocional, tanto nos momentos de crise, quanto de serenidade. Na crise posso avaliar o estado, quer dizer, a qualidade dos meus pensamentos, o modo como interferem em meu corpo psicossomático, criando ansiedade, angústia, impaciência, e assim por diante.

Nos momentos de serenidade, poderia repetir a avaliação, e uma vez mais, verificar meu estado mental e a qualidade dos meus pensamentos. Será que um é diferente do outro? Faça o teste.

Poderíamos definir esse espaço de tempo como o momento de autoexame e estudo consciente do meu corpo somático e estado mental, ou a Observação Silenciosa de si mesmo. Depois, com a prática, esse tipo de exercício poderá ser praticado a qualquer momento, em qualquer lugar, de forma natural, sem processos ritualísticos.

A Prática da Observação Silenciosa, um exercício meditativo capaz de restaurar o controle emocional de qualquer indivíduo...

O exercício poderá ser realizado individualmente ou em grupo.

O praticante poderá estar sentado, deitado ou em pé. Mas, o importante é que esteja parado, imóvel, em posição confortável, e na medida do possível, relaxado e em ambiente silencioso. De qualquer modo, a prática em si já promove o relaxamento natural do indivíduo. Por estar relaxado, queremos dizer, estar despreocupados, desligados de qualquer outra coisa que não faça parte daquela atividade.

De olhos fechados, devagar, respire e aspire fundo por quatro ou cinco vezes, isso já é capaz de promover um relaxamento natural.

Podemos orientar para que o praticante, ainda de olhos fechados, sem pressa, tente perceber o ambiente.

Deverá vasculhar com os ouvidos cada barulho e ruído ambiental que seja capaz de identificar sensorialmente, mas sem dar nomes, sem descrever para si mesmo o que está acontecendo; sem classificar como feio ou belo, ruim ou bom.

E a cada som que escuta, apenas tentará descobrir de onde vem, e assim irá permanecer por um tempo. Depois, num segundo estágio, deverá tentar identificar, dar nomes a cada coisa que consegue ouvir, inclusive o silêncio. Isso inclui sua própria respiração, e a de outros ao seu redor, se esse for o caso.

Feito isso, sua atenção estará totalmente concentrada naquela ação. Sua mente estará, sem resistência ou esforço, com seu foco centrado apenas naquela tarefa que está a realizar, sem procurar ocupações longe dali.

Em seguida, já relaxado, deverá sentir aquilo que é capaz de perceber enquanto permanece nesse estado. Qual é a sensação, a qualidade dos pensamentos, o nível de bem estar físico. Nesse momento, deverá sentir-se naturalmente mais sereno, ciente de tudo à sua volta, consciente de que é capaz de ter autocontrole e atenção, tudo isso a depender de sua vontade, sem a ajuda de medicamentos, drogas ou muletas psicológicas de qualquer natureza.

Dentro da mesma metodologia, numa outra etapa, repita o processo agora avaliando cheiros, ou sensações térmicas que refletem em seu corpo. Com isso seu estado de atenção estará pleno, trabalhando de uma forma nova, com maior lucidez, mais vivo que nunca.

O estado resultante dessa pequena prática se reverte em autoconfiança, aumento da autoestima, equilíbrio interior, eliminação dos ansiosismos, potencialização da memória, maior fluidez e agilidade mental. Enfim, uma consciência intensa de si mesmo.

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