Artigos para Autorreciclagem

Uma Prática Respiratória para o Controle da Ansiedade

Maus e Bons Hábitos, tudo é uma questão de Aprendizado...
"Se o ensinamento não visa a liberdade consciencial, não pode ser chamado de ensinamento..."
Uma Prática Respiratória para o Controle da Ansiedade

Apenas porque uma coisa é simples não significa necessariamente que não tenha valor...

Avaliando o significado de um condicionamento social Patológico e examinando as Soluções que estão ao nosso Alcance...

Certas rotinas ou hábitos diários, a maioria de natureza patológica, são na verdade portas de entrada para a criação ou fixação de novos e deslocados comportamentos entre os jovens. O problema maior é que se trata de um condicionamento praticamente involuntário. Resta aprender a observar tudo isso para depois conservar o útil e descartar o inútil.

Com o passar dos anos, logo o jovem passa a absorver, incorporar, como verdadeiras esponjas, os caracteres dos adultos à sua volta. Não há como evitar, trata-se de um gesto espontâneo, já que o ato de imitar é a coisa mais natural do mundo. E com isso vão “aprendendo” novos hábitos, mas sempre com uma patológica predisposição pelo negativo.

E se há uma coisa em comum entre todos os congêneres humanos, esta é o estado emocional variável. E ao contrário dos animais irracionais, que também possuem o mesmo atributo, nós podemos nos dar conta disso. Assim, com a ajuda do nosso pensamento, podemos sentir emoções e memorizá-las, e de forma voluntária e consciente, guardá-las como lembranças, sejam elas más ou boas.

E dos nossos ancestrais, de forma involuntária, acabamos por herdar dezenas de psicopatologias, dentre elas as angústias, as fobias, e toda uma série de sofrimentos que estranhamente só existem em nossa psique. São estados resultantes das crises existenciais, da enorme pressão competitiva do dia a dia, da nossa incapacidade em encontrar a felicidade.

Como pais e educadores, sabedores de tudo isso, resta tentar uma nova abordagem para ajudar os jovens no enfrentamento de seus dilemas pessoais, uma vez que a antiga escola falhou. E para isso, novos meios precisam ser pautados, e entre eles está o benefício da dúvida.

Frequentemente encontramos em nossas salas de aula jovens de todas as faixas etárias, desmotivados, inseguros, carentes de afeto, em busca de uma direção para si mesmo, ou de um sentido para a vida. Encontram-se quase no limiar do desespero, pois não sabem como buscar ajuda, nem sabem a quem se dirigir para receber uma orientação, mesmo que seja mínima.

E tudo isso ocorre, seja por falta de afinidade ou confiança com pais ou educadores, o que acaba em grande frustração, e resta aquele sentimento de desamparo. Esse vácuo que acaba por se criar torna-se muitas vezes uma porta de entrada para a alienação e o fanatismo, os vícios negativos, as drogas e os desvios morais.

Um dia desses fomos procurados por uma jovem queixando-se de uma falta de motivação mesclada com angústia, que eventualmente, sem prévio aviso, se apoderava de sua razão. Em vésperas dos exames, ou ante a proximidade de algum compromisso que julgasse mais sério, logo a coisa tomava mais vulto. E tudo aquilo quando se somava à falta de sentido existencial que já sentia, transformava-se num sentimento difícil de expressar através de palavras.

E essa incapacidade de expressar de uma forma clara o que sentia deixava-a ainda mais angustiada, impotente, completamente sem ânimo, e mesmo questionando se valia a pena viver. E nestes dias, sequer de alimentar-se fazia questão.

Resolvemos então modificar um pouco o padrão de nossa pauta pedagógica, mesmo à revelia do conhecimento ou consentimento da direção. E com uma turma de jovens de faixa etária semelhante, iniciamos, sem que os próprios alunos soubessem, uma nova pedagogia. Coisa simples, mas, como veremos a seguir, de extraordinário, surpreendente e positivo valor cognitivo, psicológico e somático.

Tudo que fizemos foi introduzir dentro da pauta tradicional, alguns assuntos, na forma de debates, sobre autoestima e insegurança pessoal. Assim, avaliamos as razões dos nossos medos, ansiedades, angústias e conflitos existenciais. Pessoalmente, ou sob consulta prévia ao grupo, duas vezes a cada mês, um tema era selecionado. Após o debate, os alunos eram convidados a fazer anotações, em casa, durante sua rotina, sobre si mesmos.

Com o passar dos dias, isso acabou por criar entre eles um despertar, uma curiosidade quase unânime, sobre suas questões mais íntimas, suas próprias dúvidas existenciais, seus medos e problemas particulares. Depois de analisar a coisa por algum tempo, chegamos à conclusão de que a insegurança, a falta de confiança em si mesmo, devia ser tratada com alguma atenção de nossa parte, já que a escola como instituição educacional permanecia indiferente a tudo isso.

Uma prática que incluímos, intercalada aos debates, apesar de não fazer parte do escopo curricular tradicional, foi uma atividade que podia ser praticada em qualquer lugar, cujo resultado extrapolou nossas expectativas. Tratava-se de simples exercícios respiratórios. Nada de mais; nada de extraordinário ou dispendioso, apenas uma compreensão através da prática, de como o correto modo de respirar é capaz de equilibrar e corrigir nossos Estados Emocionais Negativos.

A Prática da Respiração para controle das Emoções Negativas ou Ansiedade...

O exercício poderá ser realizado individualmente ou em grupo.

Inicialmente solicitamos que todos, sentados do modo mais confortável possível, de olhos fechados, com a coluna ereta recostada ao respaldo das carteiras, aspirassem pelo nariz a quantidade de ar que cada um julgasse adequada para si. Deveriam em seguida reter por alguns instantes esse ar nos pulmões – contando mentalmente até 5, 10 ou mais –, sem esforço ou desconforto, e depois lentamente e com suavidade liberar pela boca.

Esvaziados os pulmões, não completamente de modo a não lhes faltar o ar, deveriam respirar normalmente, sem pressa, duas, três ou cinco vezes, e repetir o processo. Explicamos que isso aumentaria a capacidade respiratória de cada um, traria mais oxigênio para seus cérebros, tendo como efeito imediato, a eliminação de qualquer ansiedade indesejada, tensão muscular ou emocional acumulada, bloqueios mentais.

Posteriormente, pedimos para que aspirassem o ar pelo nariz, e simultaneamente, enquanto aspiravam esse ar, inflassem suas barrigas. Isso permitira reter o ar por um tempo mais longo. Depois, sempre dentro de uma condição onde o limite de retenção de ar de cada um ainda não tivesse sido alcançado, deveriam expelir pela boca, enquanto lentamente iriam contrair, secando suas barrigas. E mais uma vez, tomando cuidado de não ficar completamente sem fôlego.

Explicamos então que essa retenção de ar, sempre dentro de um limite confortável para cada um, poderia servir de concentração às vésperas de um exame importante, ou outra atividade onde a ansiedade se fizesse presente. Também lhes informamos que essa atividade respiratória ajudaria a controlar seus impulsos naturais, suas ânsias, e proporcionaria a cada um mais serenidade para o dia a dia, desde que regularmente, quando sentissem necessidade, fosse praticada.

Tratava-se de uma prática já testada com crianças menores, e os resultados foram tão promissores que resolvemos aplicar a todos. Os benefícios observados nos pequenos eram óbvios: tornaram-se mais quietos, mais autoconfiantes, disciplinados, com maior controle sobre seus estados emocionais. E as brigas diminuíram, era como se de repente, cada um se sentisse responsável por si mesmo e pelos seus atos.

Com os mais velhos, de uma resistência e falta de credibilidade inicial, logo tivemos resultados que podemos chamar de fora do comum. E logo, muitos deles nos relatavam como estavam compartilhando a ideia em casa, e com os amigos. Enfatizaram como aquilo fora importante para conhecerem um pouco mais sobre si mesmos assim como seus estados de espírito. Sentiam também uma maior lucidez no ato de observar e avaliar seu modo de agir no dia a dia, a forma de interagir com coisas e pessoas.

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