Dicas para Autorreciclagem

Verdades sobre o Autoconhecimento que você precisa conhecer

Inteligência não é uma qualidade que adquirimos ao final da jornada, mas, ao invés disso, no princípio, quando resolvemos caminhar em busca de respostas...
"A boa obra contempla um projeto sólido e viável, organização, bons materiais e principalmente a determinação do obreiro..."
Verdades sobre o Autoconhecimento que você precisa conhecer

O espelho que melhor revela nossa imagem é a qualidade dos nossos interrelacionamentos...

Examinando a Questão...

De uma coisa todos já sabem, a fé é necessária quando o indivíduo precisa acreditar numa fonte que lhe transmite um conceito, informação ou crença, cujo conteúdo prático ele não conhece, nem vivenciou como fato. Mas, torna-se desnecessária quando esse mesmo indivíduo é capaz de comprovar, a partir da experiência pessoal, aquilo que até então era apenas um conceito, alusão ou ideia.

Dedução sem investigação é como um lápis sem grafite, só parece que é lápis. Mas é o comportamento mais comum. Julgamos pelas aparências, e nossas dúvidas são apenas superficiais. E ao invés de investigarmos, de adentrarmos a fundo em busca do esclarecimento capaz de nos conduzir a elucidação de uma questão, por ser mais cômodo, apenas deduzimos, ou pior, descrevemos conceitualmente as experiências de outros como se fossem nossas.

A mesma coisa ocorre com os problemas que povoam nosso dia a dia. Olhamos para eles de cima, induzidos pela aparência que possuem, pela retórica do seu enunciado, a partir do aparente significado escondido por trás das palavras que tentam descrevê-los.

Atuamos como multiplicadores de problemas, e este parece ser nosso objetivo de vida na terra. Ocorre que já nascemos em um mundo repleto de questões mal resolvidas, e a exemplo daquilo que aconteceu com nossos pais e avós, também nós, inicialmente de modo involuntário, logo, acabaremos por incorporar, ou adotar como filhos pródigos uma considerável quantidade destes imbróglios ao nosso viver.

Mas nunca nos ensinam como resolvê-los, apenas como dar meia volta, quando se apresentam diante de nós. É como no caso da goteira no telhado de nossa casa, que poderíamos consertar simplesmente trocando a telha ao constatar o fato. Mas, ao invés disso, por acomodação, preferimos usar um recipiente para servir de aparador, sempre que for necessário. E assim, o remendo se torna hábito, e logo será aceito como solução definitiva. E segundo a norma vigente, esse é o modelo que normalmente adotamos para resolver nossos contratempos.

Resolver um problema é simples, isso quando nos ensinam desde cedo a prática da dúvida. Sem esse atributo nunca vamos perguntar: “Por que isso constitui um problema para mim?” Sem essa qualidade consciencial, que é inteligência, um atributo que deveríamos aprender em casa e depois reforçar na escola, duvidar não é possível. E sem a dúvida não há investigação, nem o esclarecimento capaz de conduzir à elucidação e aprendizado. Mas sobrarão as deduções, as especulações, as conjecturas, as fantasias, os delírios, as alienações, e o pior de tudo, as respectivas ações a partir dos equívocos.

O Ato de Aprender contempla em primeiro lugar ter a firme convicção de que não sabemos...

O Discernimento, um status superior de lucidez e parte inseparável da inteligência, não é uma qualidade inata, mas um atributo que existe como potencial, adormecido, em estado de hibernação, no inconsciente de cada um. Por isso precisa ser despertado, convocado voluntariamente para uso. E sem Discernimento não há escolha sensata, nem lúcida, mas sobrarão os enganos e frustrações, e evidentemente os atos falhos.

O Discernimento faculta o homem a controlar suas emoções, e coloca suas decisões sob o jugo de sua lucidez e desperticidade, e não mais sob a jurisprudência de crenças, dogmas, normas cultas, ideologias, preceitos sagrados, ou seja lá o que for. Sua vida não mais será regida por terceiros, nem pelo medo, mas pela sensatez e lógica consciencial, uma sabedoria que nasceu a partir da autoexperimentação, conhecimento de seus caracteres e potencialidades.

Mas, o Discernimento adquirido não poderá ser transferido para outrem. No entanto, alguém dotado de tal atributo, é capaz de demonstrar sua existência a partir de sua conduta, e irá suscitar a dúvida naquele que estiver interessado em descobrir, por si mesmo, se aquilo também pode ser aplicado à sua vida. E embora não possa ser transferido de um cérebro para outro, o indivíduo dotado de discernimento, através do seu comportamento e exemplo, de forma positiva, através do processo da cognição silenciosa, ou reverberação do seu estado de ser, não poderá deixar de contagiar a todos que estão à sua volta.

O Discernimento é um estado que surge com o esforço pessoal, a partir do estudo do papel existencial de cada um. Não aflora de fora para dentro, e sim de dentro, a partir do que existe lá fora. É o aprender a partir da observação permanente da qualidade de nossa interrelação com o mundo, compreendendo, passo a passo, quais são nossas inclinações e idiossincrasias, assim como a qualidade do nosso olhar crítico sobre todas as coisas; examinado quais nossos traços fracos e os fortes.

O ato de se autoconhecer, apesar de ter um princípio, jamais terá fim. Isso ocorre porque o conhecimento é sempre acumulativo, incompleto por natureza. No entanto, tudo que aprendemos hoje servirá de base sólida para qualificar nossa compreensão de amanhã. Essa qualificação crescente nos permitirá potencializar de forma sempre vertical nossa cognição.

E todo autoconhecimento começa a partir de uma constatação simples, que só pode surgir a partir do florescimento da inteligência. E a inteligência desponta no momento em que percebemos que nosso mundo pessoal está em desordem. E como ainda não sabemos o que é a ordem, só é possível constatar o fato através da desordem. Então, a partir da constatação da desordem externa, há a uma real possibilidade de descobrirmos o que vem a ser a ordem interna.

A inteligência não nasce apenas a partir do intelecto. Tanto isso é verdade que muitos sábios, homens de inquestionável e superior erudição, em nome da ciência, são os responsáveis pela construção de todas as armas de destruição em massa. E agora já se sabe que os processos de mineração ou químicos que degradam o meio ambiente, não seriam possíveis sem uma sofisticada engenharia, também criada por grandes e superdotados intelectos, embora, não dotados de inteligência.

A inteligência nunca surge a partir de um ato involuntário, mas, ao invés disso, de uma intenção planejada, organizada, direcionada para um objetivo claro, com ações e efeitos bem definidos. Ao mesmo tempo, onde há inteligência genuína, o que não é erudição, sempre existirá Discernimento, o que quer dizer, bom senso. E assim, os resultados de seus atos jamais poderão se reverter em malefícios. Isso ocorre porque o plano existencial do Discernimento só contempla a transformação, a regeneração e recomposição ou reciclagem, e nunca a destruição.

Inteligência não se replica através de palavras, crenças ou axiomas sagrados. Do mesmo modo, ninguém nasce inteligente, mas apenas com o potencial para se tornar. E potencial não representa, em si, uma certeza da manifestação ou afloramento daquele status. Logo, não ocorre de forma espontânea; depende do esforço individual, que surge naturalmente com o princípio da dúvida. Pela dúvida nos tornamos mais diligentes e criativos, e eis o caminho natural para o despertar da inteligência.

A inteligência autêntica contém a ética superior e incorruptível, um estado incompreensível para o homem adepto da indolência mental. Nossa pedagogia não ajuda, nem poderia, uma vez que construir indivíduos dotados de inteligência nunca foi a sua intenção. Afinal de contas, sendo nossa pedagogia um subproduto da deformação que esboçou e deu forma a mentalidade que rege a humanidade, só poderia replicar seu aspecto nosográfico. Por isso esse tipo de conquista, além de pessoal, será um evento épico, a exemplo de sua importância no caminho evolutivo do homem.


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