Dicas para Autorreciclagem

A Lei de Causa e Efeito segundo os Princípios do Homem atual

A partir de evidências comportamentais, o autor apresenta um exame reflexivo a respeito do tipo de leitura que fazemos da Lei de Causa e Efeito, assim como de suas repercussões e possíveis desdobramentos...
"Reivindicamos um tempo extra para desperdiçar com atividades que chamamos de Passatempos..."
A Lei de Causa e Efeito segundo os Princípios do Homem atual

Acertar a partir de erros é sabedoria. Por outro lado, Errar a partir de acertos, a mais elevada expressão de burrice...

Causa e Efeito segundo os princípios humanos...

Se dentro de cada mesologia, cultura nacionalista ou étnica há uma ideologia, fórmula ou cartilha que estabelece as regras e preceitos da ética localmente aceita como válida, isso equivale dizer que a contextualização desse status vai depender do modo como aquela cultura interpreta o errado e o certo.

Afinal de contas, a despeito da existência de um conceito de ética universal, naquele caso, localmente, a autoridade que ajuíza o que é errado ou certo é que dará a palavra final. Mas, e qual é a autoridade que autentica ou autoriza esse juiz a atribuir e homologar o que ali é moralmente correto ou consciencialmente ético?

Em outras palavras, a definição daquilo que é moralmente correto é instituído, protocolado, decretado, por quem? E qual será a autoridade ou instância encarregada de certificar que os desígnios do sentenciador ou juiz estão de fato pautados na verdade?

Para os fabricantes das drogas alcoólicas, a despeito dos milhares que morrerão afogados pela embriaguez dos seus compostos etílicos e das famílias que serão destroçadas pelo mesmo motivo, o conceito de ética se resume a pagar seus impostos em dia, e depois gratificar, de acordo com as leis trabalhistas em vigor, todos os seus empregados, ou cúmplices.

E para cada um daqueles funcionários dedicados à produção e disseminação daquela droga tóxica eufemisticamente chamada de produto interno bruto, ser ético é respeitar as leis do seu país, e depois se curvar em sinal de humildade diante dos deuses ou ícones que dão lastro a sua tradição cultural, ideologia, ou crença religiosa.

Então surge o mito – na verdade trata-se de uma prática aceita por todos – de que uma ação isolada, necessariamente, também terá como desdobramento um efeito isolado. É como se, por exemplo, ao ferirmos alguém com palavras ou atos, um posterior pedido de desculpas fosse capaz de reparar as consequências criadas a partir do primeiro gesto. Segundo esse ponto de vista, não se leva em conta o efeito da agressão e seus desdobramentos, mas apenas o segundo ato, que é o pedido de desculpas.

Ocorre que uma agressão, seja ela física ou verbal, nunca têm apenas um resultado ou consequência. Não vivemos reclusos em retiros ou clausuras, nossos interrelacionamentos é a essência da vida em sociedade. Assim, a ferida é sempre coletiva. A qualidade da saúde mental da vítima interfere dramaticamente em seus atos e relações pessoais. Logo, os mais próximos da vítima, ou aqueles que façam parte do seu grupo de convívio mais íntimo, independente do agressor ter ou não consciência disso, também serão vítimas em primeiro grau da mesma injúria.

A Partir de nossas contradições tentamos construir um modelo de mundo onde até os delitos provocados por nossos excessos conscientes poderão ser desfeitos ou suavizados, exceto quando somos as vítimas...

Se há uma lei de causa e efeito, logo, este ato, terá se desdobrado em dezenas, talvez centenas de eventos que são impossíveis de se mensurar. Não se trata mais de um efeito a partir de uma causa, mas infinitos efeitos a partir de uma mesma causa inicial.

Tabular as consequências que virão a partir do desdobramento daquela ação inicial, isto é coisa impossível de ser feita. Isso significa dizer que, uma suposta boa ação não anula os resultados de outra má. São coisas distintas, de naturezas opostas. Além disso, cada uma seguirá um caminho peculiar, criando outros tantos desdobramentos, de acordo com sua natureza.

O pior de tudo é que vivemos numa mesologia patológica, onde os efeitos negativos tendem a ganhar mais destaque e visibilidade. Isso significa dizer que irão se propagar em maior velocidade que os positivos. A fórmula da métrica é bastante simples: num ambiente contaminado pela negatividade, a força de empuxo para compartilhar um problema compatível com sua natureza nosográfica é maior do que o seu inverso.

Assim, perceber em si mesmo uma contradição ou traço negativo passível de causar malefícios, isso equivale à descoberta de uma virtude que será acrescentada ao nosso tesouro pessoal. Agora, ciente desse traço, ao impedirmos que ele se transforme em uma má ação a partir de nós mesmos, isso é um efeito potencializador dessa virtude.

Entender por que aquele atributo negativo ainda faz parte do nosso comportamento e erradicar suas causas, isso implica em liberdade, uma vez que, pelo menos a partir de nós, ele nunca mais causará dano algum ao mundo.

Claro que uma descoberta dessa natureza em ressonância com a respectiva ação resultante é mais uma exceção que a regra. Afinal de contas, o homem ainda não é capaz de enxergar, de compreender – pelo menos não dá indícios disso –, de que para todo efeito experimentado há sempre uma causa previamente semeada.

E por que ele não compreende isso? Trata-se da síndrome do imediatismo em ação, onde o indivíduo só é capaz de perceber um ferimento em seu dedo se houver sangramento no ato. Por isso não se dá conta de como tem plantado ao longo de sua existência, dezenas de sementes que mais tarde se transformarão em frutos imprestáveis ou deformados. Uma coisa é certa: Se estivesse consciente de tudo isso, esses frutos teriam outro status, conformação ou qualidade.


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