Dicas para Autorreciclagem

9 Fatos Sobre Mudanças que você precisa Conhecer antes que seja Tarde...

O homem criou um mundo à semelhança dos seus caprichos e aspirações apenas para acomodar seus desejos patológicos mais bizarros...
"Acertar a partir dos erros é um formidável exemplo de sabedoria. Errar a partir de acertos, um incontestável exemplo de burrice..."
9 Fatos Sobre Mudanças que você precisa Conhecer antes que seja Tarde

Uma mudança apenas na estética é como a feitura de uma fruta de cera; apenas por fora parece que é...

Avaliando o real Significado por trás da palavra Mudança...

Para a maioria das pessoas o ato de mudar de opinião, crença, ideologia, roupa ou penteado, ganha o significativo status de “mudança”. Mas tudo isso são apenas aspectos que se prestam a retocar a estética aparente das coisas, a exemplo de uma vitrine onde são exibidas embalagens que sistematicamente trocam de posição ou aparência, mas cujo conteúdo permanece o mesmo.

E em meio ao conteúdo dessas caixas está a desordem, cuja aparência e feiúra cuidamos de retocar por fora todos os dias, sem, entretanto, mexer em sua essência interior.

Por isso, em primeiro lugar, precisamos entender o que significa essa desordem externa. Mais importante ainda é aprender a identificá-la: primeiro lá fora, depois dentro de nós. O que não pode ser feito sem o atributo da atenção, que surge quando estamos em dúvida. A dúvida é a engrenagem ou mecanismo necessário para que a atenção exerça seu papel. E o papel da atenção é imprescindível durante um estudo ou processo investigativo de um problema de qualquer natureza.

Sem a atenção não pode surgir a disciplina, o caminho necessário para o florescimento do estado de organização. E é a qualidade organizacional o agente responsável por qualquer mudança.

E nada disso é possível sem o advento da inteligência, uma condição não inata, que precisa despertar do seu estado natural de hibernação. Sem esse despertar não há como se tornar criativo. Criatividade é um predicado mental capaz de permitir ao indivíduo corrigir um erro sem cometer outros, por isso faz parte da inteligência.

Agora o ponto mais importante. Numa avaliação dessa natureza, onde simplesmente se observa e se comprova a existência da desordem externa, nossas opiniões ou impressões pessoais são absolutamente inoportunas, desnecessárias e um empecilho ao percebimento. Lembre-se, o que está em jogo não é uma conquista que vá acrescentar alguma coisa ao nosso patrimônio intelectual, mas, simplesmente a constatação de um fato, uma verdade que não precisa de um juiz para autenticar, ou o arbítrio próprio da intelectualidade para se consolidar.

Eis as Dicas...

Mudança não é um estado aparente que esteticamente pode ser visualizado dentro da desordem, mas, antes disso, uma estética interna que se manifesta como ordem externa. Sem essa ordem, que é a verdadeira ação, as mudanças serão apenas maquiagens, retoques na embalagem, útil apenas para mascarar a intenção de permanecer com os problemas.

A continuidade é um processo antagônico ao processo de mudança, enquanto que a compreensão da descontinuidade nos faculta a colocar um dos pés dentro do caminho. Sem a compreensão de que a continuidade é o sinônimo da perpetuação e a descontinuidade o movimento que processa a mudança, nada poderá ser feito.

E se inicialmente não sabemos como mudar, questionar se isso é possível representa o percebimento de que onde existe uma porta de entrada também pode existir outra de saída. O questionamento sugere que não se trata da mesma porta, uma vez que uma abre de fora para dentro, e a outra de dentro para fora.

Por isso quando um hábito negativo se manifesta de fora para dentro, por definição, tem sua própria porta, e esta representa apenas a entrada. A saída está em outra porta, aquela cuja representação é a mudança. Mas esta só se tornará visível quando reconhecemos, tanto a falha, quanto o desejo firme de erradicá-la.

A mudança é também uma força motivacional que funciona segundo os princípios da boa cognição. Boa cognição é aquela que acrescenta o que é útil e necessário pela eliminação do inútil e desnecessário. Ela acrescenta ao perder, a exemplo de um diamante bruto, onde a remoção das arestas crespas não polidas durante seu processo de lapidação o torna ainda mais valioso.

Só podemos mudar a nós mesmos e, no máximo, essa mudança pode servir de exemplo ou espelho para o nosso entorno. É impossível para outro assimilar através de um processo de incorporação extraordinária nosso status de mudança pessoal. A mudança é uma ação íntima, e o mais importante, que não pode ser recebida como doação a partir de terceiros.

Isso implica em afirmar que um guru ou guia não é capaz de mudar nossa compreensão sobre fatos não vivenciados, muito menos nosso comportamento patológico. Um orientador consciente não tenta mudar seu discípulo, pois sabe que isso é impossível de ser feito. Mas pode esclarecer informando que a mudança é possível. Pode ainda indicar o caminho, caso assim deseje o aprendiz, caso tenha consciência de que uma mudança em si mesmo, a partir da vontade pessoal, é o único caminho válido.

Por padrão tentamos mudar os outros, e, paradoxalmente nunca temos o mesmo empenho com relação a nós mesmos, e perceber essa anomalia comportamental já representa uma mudança. Cientes desse fato, então podemos esclarecer, e através do exemplo pessoal, reforçar tudo aquilo que foi dito. Esclarecer implica em orientar tornando possível ao outro perceber em si mesmo onde estão as falhas, e tudo aquilo sujeito ao descarte ou reciclagem. Entretanto, sem esse autopercebimento, nada poderá ser feito.

Para mudar você precisa saber o quê. Reconhecida a falha, você agora precisa compreender que ela é apenas uma parte, um dos inumeráveis traços da sua personalidade. E, apesar de possuir um defeito, você não é esse defeito.

No entanto, para mudar um traço defeituoso, você não terá êxito se apenas pensar na falha. Uma anomalia se corrige quando pensamos numa solução, e nunca no problema. Problema não se resolve com o reforço ao próprio problema. Uma cura ocorre quando pensamos na cura e não na doença.

E uma boa prática é pensar no inverso. Por exemplo: sendo intolerante e desejando mudar, devo investir em tolerância. Pensar em tolerância, estudar o que vem a ser tolerância, ao invés do seu estado antagônico, meu atual problema. É o princípio da afirmação positiva. Meu cérebro compreende quando informo para ele o que fazer. Se afirmo: “sou intolerante”, este assimila e pratica a intolerância. Se, no entanto, afirmo: “sou tolerante”, ele também irá assimilar esse comando e praticar, desde que, claro, saiba como fazê-lo.

Por fim...

Quando nos tornamos inteligentes, isso já representa uma mudança. Não nascemos inteligentes, nem o meio social, tradicionalmente, nos faculta essa aquisição. Só poderá surgir e se fixar através do esforço pessoal de cada um, quando se percebe os próprios limites e imperfeições. Entretanto, perceber limites e imperfeições representa apenas o primeiro passo. A postura mais importante ainda é aceitar o desafio da mudança a partir dessa constatação, sob a regência da vontade inabalável.


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