Dicas de Educação
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6 Mitos Populares que Condicionam de forma Negativa
Autores: Alberto Silva Filho e Jon Talber[1]
14 de Março de 2016
Série: Dicas para Autorreciclagem
O indivíduo que caminha no escuro sem tatear, acaba caindo no buraco sem esperar...
"O educador que não duvida de nada é um multiplicador de alunos que acreditam em tudo..."
6 Mitos Populares que Condicionam de forma Negativa
Acreditar que uma tradição ou mito é o meio ideal para o florescimento do bom senso, equivale a crer que a lua é feita de queijo suiço...

Os mitos e superstições, depois de incorporados ao comportamento social da mesologia onde fomos criados e vivemos, é quase certo que também passarão a fazer parte das nossas personalidades.

Como conseqüência dessa equação, uma vez que de forma direta terão influência marcante nos traços de nossa conduta, acabarão por interferir no resultado final de nossas ações.

Nesse universo patológico, onde as bobagens ganham status de coisa séria, o fato é que nosso comportamento, sem que percebamos, há muito tempo está sob o domínio implacável do repertório das superstições e psicopatologias comuns dentro de cada tradição.

Compreender esse processo pode nos ajudar a erradicar antigas deformações sociais que, aliás, de forma equivocada, alguns até consideram obras de homens santos ou sábios.

Eis, portanto, uma breve lista de alguns desses comportamentos negativos, tradições ou mitos, que merecem, com urgência, uma reflexão.

É dando que se recebe.

Este condicionamento está tão encarcerado em nosso inconsciente que é praticamente impossível realizarmos alguma ação em benefício de terceiros sem aquele sentimento de expectativa em relação a uma compensação futura, seja de ordem material ou espiritual. Aliás, essa expressão tem uma variante que explica tudo: “Quem dá aos pobres empresta a deus.”

O hábito do “dar para receber”, que faz parte de quase todas as tradições, tornou-se um processo tão natural que nem mais parece uma psicopatologia das mais sérias. E aquele que segue a regra é incapaz de realizar algum favor sem esperar por outro em troca. Doação voluntária nem pensar. Com isso, os relacionamentos se transformaram em simples convênios para troca de favores, e logo que um dos lados deixa de cumprir ou pagar sua cota, a relação se desfaz e o conflito inicia.

E assim, desde criança fomos condicionados a não praticar o verdadeiro altruísmo, a ação espontânea, motivada apenas pelo bom senso e compaixão. Aquele não motivado pela intenção compensatória, sem expectativas de retorno ou gratidão; aquele ato de boa vontade nascido da consciência de que, quando se dá para receber depois, isso na verdade não passa de um empréstimo, ou troca. E convenhamos, bondade por troca é uma bondade discutível.

Quem estuda matemática é sempre mais inteligente.

Para início de conversa ter um intelecto recheado de cultura, não importa sua qualidade ou especialidade, importância social ou status, não é sinal de inteligência. Inteligência é outra coisa, e não depende do volume de informações acumuladas dentro do repositório intelectual de um cérebro. Inteligência nasce a partir da atenção suscitada pela dúvida, que se transforma em disciplina, caminho necessário para a conquista de outro atributo, a organização. Sem estas qualidades, o despertar da inteligência vai ficar só na vontade, ou nas páginas impressas dos compêndios teóricos.

O Sofrimento enobrece o homem.

Quando os nobres antigos decidiram elevar a si mesmos como representantes terrenos dos deuses, por exclusão, determinaram que todos os outros não filiados ao clube não poderiam usufruir dos mesmos privilégios e vantagens que eles próprios já gozavam. Entretanto, era preciso encontrar um modo de conformar aquela maioria barulhenta, até como forma de aquietá-los, sob o risco de revolta popular contra a elite dominante, o que poderia comprometer a boa vida que levavam.

Mas, por que poderiam comprometer? Simples, a nobreza dependia daqueles vassalos, tanto para cuidar de suas propriedades, das hortas e asseio dos seus dormitórios, quanto da qualidade da comida que chegava às suas cozinhas. E tê-los insatisfeitos motivados por simples despeita, isso, constituía uma ameaça das mais sérias ao exclusivo conforto que desfrutavam.

Por isso disseminaram a ideia de que o sofrimento seria necessário para futuras compensações, se não na terra, certamente no reino dos céus. Eis outra mentira que deu certo, e até hoje goza do status de coisa verdadeira.

O importante é competir.

Competição saudável só mesmo quando o protagonista está em contenda com ele mesmo, sempre em busca de corrigir as falhas pessoais e qualificar os traços fortes de sua personalidade. Todas as outras formas de concorrência são negativas e criadoras de conflitos, intrigas, invejas e guerras. Numa competição é impossível existir algum tipo de entendimento entre os antagonistas. Ocorre que cada um deles está em disputa com o outro, onde o objetivo é a conquista de um troféu disponível para apenas um. “O importante é dividir em partes iguais”, esta sim deveria ser a expressão corrente, o costume consensualmente adotado por todos.

Desse modo, quando se disputa o posto de superioridade proporcionada pelo poder, a divisão igualitária torna-se impossível, assim como o sentimento de conformação sincera e sem ressentimentos do lado perdedor.

Quem espera sempre alcança.

É o princípio da preguiça institucionalizada, e teremos como resultado um indivíduo fracassado, que além de invejar o sucesso alheio, estará para sempre em buscas de culpados para justificar suas mazelas. Claro que sem esforço pessoal nada se consegue. É um princípio da natureza, onde os mais dedicados e esforçados serão contemplados com o dom adquirido da qualificação. Qualificação não se recebe, trata-se de uma conquista individual, que surge quando nos tornamos inteligentes, disciplinados e organizados, e isso ocorre no momento em que percebemos que estagnação é sinônimo de retrocesso ou morte.

Quem cedo madruga deus ajuda.
6 Mitos Populares que Condicionam de forma Negativa
Sem antes aprender sobre autodisciplina, o aluno jamais saberá o que é auto-organização...

Quem disse que trabalhar demais é sinônimo de sucesso garantido? De que adianta cedo madrugar sem ter um objetivo de vida definido, e trabalhar do nascer ao por do sol, sem descanso, sem disciplina ou organização, sem planejamento ou qualificação, e o pior de tudo, sempre na dependência de um guia?

O correto seria: quem é qualificado, disciplinado, organizado, sabe planejar a própria vida e seus respectivos objetivos, se esforça, mas sem martírios, e ainda é perseverante, sem descuidar de aprender a partir dos próprios erros, esse, certamente terá mais possibilidades de êxito do que aquele burro de carga.
Aliás, esse Burro, uma caricatura que já faz parte da tradição, incorpora aquele indivíduo que prefere ser conduzido por cegos, que desperta ao ver a luz do sol, ou ao escutar o canto do galo, apenas porque acredita na lenda de que trabalho duro significa apenas ter boa disposição física. Um indivíduo com esse perfil é também aquele que vê no sofrimento um salvo conduto para dias melhores.

Qualificação e disciplina é a chave que abre todas as portas do êxito, não apenas profissional, mas da realização pessoal. O indivíduo competente é mais autoconfiante, não tem medo das oscilações ou incertezas do mundo patológico onde vivemos.

Alem disso, deus não ajuda ninguém que primeiro não se qualifica e se prepara para colher o que plantou. Não é o que foi plantado pelos outros, e sim com as próprias mãos. O sujeito qualificado, diligente e organizado, que trabalha por vocação, sempre terá êxito em seus empreendimentos, independente do estado das coisas.

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Sobre a Autoria:
Sobre os Autores:[1]

Alberto Silva Filho - O autor é orientador de educação infantil e adulta, escritor de contos infantis, um dos Idealizadores e colaborador fixo do Site de Dicas.
Email: albfilho@gmail.com
O autor não possui Website ou Blog pessoal.

Jon Talber é Pedagogo, Pesquisador, Antropólogo e escritor especializado em Educação Integral.
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Mais artigos do autor em: http://www.mundosimples.com.br

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