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Por que o Homem Civilizado Ainda é uma Entidade tão Contraditória em suas Posturas?

Igualdade segundo o padrão humano significa o que não significa; Ou seja, duas ou mais coisas desiguais. Trata-se de uma medida que é sempre usada como referência por quem está em desvantagem, mas nunca de modo inverso...
"Uma mesologia doente é como uma colônia de bactérias resistentes, cujo efeito é a criação de patologias cada vez mais difíceis de tratar..."
Por que o Homem Civilizado Ainda é uma Entidade tão Contraditória em suas Posturas?

Numa mesologia patológica as distorções nunca são consideradas como anomalias sociais, e sim como o estado natural das coisas...

Examinando os Princípios que dão forma à Questão...

Uma informação só será compreendida de fato quando tiver utilidade. Então, a partir do seu uso, comprovados seus benefícios, só então ela se transforma em cognição útil.

Uma mensagem com real valor cognitivo, normalmente não é direcionada para todos, mas apenas para aquele capaz de compreender a utilidade por trás do seu contexto. Caso tenha compreendido se transformará em ação; caso contrário, continuará como informação inerte, ou simples arquivo morto.

E há um movimento silencioso no propósito, mas não tão discreto na forma de propagação, no qual todo jovem é convencido a adotar um estilo de vida cuja máxima é: “Viva o dia de hoje como se não houvesse amanhã...”

Por isso, pensar no seu futuro é proibido, uma vez que isso requer organização, disciplina, planejamento, uma mentalidade de que só aquilo que plantamos agora iremos colher mais tarde. Mas, como pensar dessa forma, se de acordo com o mantra ou pensamento corrente que cada vez mais ganha adeptos, não existe esse amanhã?

Assim, preservar o meio ambiente como forma de melhorar nossa qualidade de vida nunca é uma prioridade, mas serve como combustível para a proliferação de movimentos pontuais sem nenhuma intenção de mudar o Status Quo. Imagine a existência de uma população lúcida e motivada por princípios existenciais conscienciais a não degradar, sob nenhum pretexto, seu bioma? Por reflexo lógico, numa condição dessa natureza, que espaço existiria para as organizações ambientalistas e seus idealizadores, ou ainda para os políticos travestidos de salvadores?

Embora uma mentalidade ou pensamento mesológico seja capaz de interferir na composição das personalidades dos cidadãos, por outro lado, a consciência pessoal da ação dessa força condicionadora é um processo solitário. Isso quer dizer que, a mesma mente coletiva que condiciona o sujeito de forma negativa, não pode ser a responsável pelo autopercebimento da própria anomalia. Tradução: do repertório cognitivo que condicionou o sujeito, jamais poderá surgir a lucidez necessária para que ele próprio se perceba como condicionado.

Uma tradição patológica e bizarra que apesar de antiga, continua a recrutar novos adeptos...

Igualdade segundo o padrão humano significa o que não significa. Ou seja, duas ou mais coisas desiguais. Trata-se de uma medida que é sempre usada como referência por quem está em desvantagem, mas nunca de modo inverso.

E há também o caso das nacionalidades, crenças, etnias, status sociais, inteligência, beleza física, habilidades e qualificações, força presencial, criatividade, dentre tantas outras métricas, que continuam servindo como gabaritos para ilustrar a eterna contradição do princípio da utópica igualdade idealizada pelo homem, e, paradoxalmente, contestada por ele mesmo.

E não existe em nenhum segmento da mesologia, sejam os caracteres étnicos, religiosos, ideológicos, pedagógicos, filosóficos, ou qualquer outra variante, que pretenda criar igualdades sociais dentro do atual estado das coisas. Isso é uma tarefa impossível, uma vez que o próprio modelo civilizatório, a exemplo de um alicerce ordinário, foi estruturado em cima dessas desigualdades.

Mas eufemisticamente, como porta estandarte ideológico, esse tipo de pensamento parece cair bem. E embora todos adotem o princípio do “Mérito Pessoal” – o que já descaracterizaria o modelo igualitário –, salvo exceções pontuais, acabam por fingir que a postura filantrópica autêntica é tão comum quanto propaganda de bebidas alcoólicas. Como resultado, enganam a si mesmos, e são enganados enquanto enganam os outros, e tudo fica como está.

Pior é a chamada igualdade religiosa, onde o mentor daquele movimento separatista – todas as religiões são movimentos separatistas, uma vez que indeferem as demais em defesa de si mesmas –, que ele chama de doutrina, não abre mão do seu posicionamento ideológico. Não se trata do desejo de unir os diversos e antagônicos credos, mas de absorver todos eles pela adoção e conversão sistemática, obrigatória e exclusiva, do seu próprio modelo doutrinário.

É a prática do mesmo princípio religioso medieval que afirmava: “Enquanto existir um único cidadão humano não convertido ao nosso credo, nossas cruzadas santas não poderão dormir em paz...”

Outro princípio bizarro são os chamados movimentos que supostamente defendem os direitos dos animais. Assim, segundo a cartilha que distribuem amparados por um marketing de guerrilha tendencioso, chutar um cachorro é considerado um desumano ato de maus tratos. No entanto, paradoxalmente, matar outro para fins comerciais, não é.

Do mesmo lado da rua estão as proclamadas entidades defensoras dos direitos humanos, onde o delinquente confesso é considerado uma vítima, enquanto que os cidadãos bem intencionados e que respeitam as leis, aqueles que fazem parte da contabilidade criminosa desse indivíduo, são simplesmente ignorados.

E dentro do escopo das contradições que refletem o comportamento da mente patológica que personifica a maioria dos indivíduos do nosso tempo, os exemplos estão por toda parte. Nos esportes radicais pré-suicidas, no culto às drogas, ou na idolatria às guerras. São também visíveis nos processos das automutilações corporais para fins narcisistas, uma espécie de movimento de simbologia ideológica, onde a insatisfação com a própria aparência torna-se uma doutrina de vida. E há também a violência sem motivo e as contendas religiosas, e assim por diante.

A força do Eufemismo, uma técnica linguística criada para justificar e dar solidez aos comportamentos Mórdibos...

O eufemismo é outro fator curioso. Trata-se daquela técnica linguística largamente aplicada, onde argumentos retóricos habilmente esboçados são empregados com a intenção de transformar um monstro em anjo, ou uma aberração em coisa natural. São palavras usadas com maestria para maquiar o bizarro e insensato, suavizando o seu significado ou aparência original, numa tentativa de esconder suas verdadeiras feições.

Um clássico exemplo de eufemismo é a expressão “contribuinte”. Trata-se daquele sujeito que é obrigado a pagar impostos, e apesar de não o fazer por vontade própria, ainda assim é categorizado como “contribuinte”.

E assim, os criadores dos animais de corte, em suas sofisticadas fábricas ou centrais de extermínio de animais, através de uma bizarra estratégia de marketing, criaram a expressão: “Morte Humanizada de Animais.” Imagine se existe agressão humanizada, ainda mais em sua forma extrema, ou seja, a morte sumária. Trata-se de outro eufemismo construído com a intenção de transformar maquiar uma aberração em perfeição.

Mas, estão por toda parte, e algumas vezes sequer se importarão de lapidar as palavras com as quais irão se expressar. Ocorre nos casos onde a propaganda mostra crianças consumindo alimentos sabidamente nocivos, em clima festivo, cercadas pelos pais, em ambientes asseados, ou em contato com a natureza. Nas entrelinhas estão insinuando que aquilo é na verdade uma variedade de produtos comprovadamente saudáveis. Dessa vez, trata-se de um eufemismo visual, o favorito das modernas técnicas de marketing.

Descobrir onde está o erro não nos faculta a mudar, especialmente se a lei existe apenas quando estamos no papel de vítima. Mudança é algo que só pode ocorrer quando nos tornamos inteligentes. Quando nos tornamos, e não quando nos tornam por força de decretos, leis, preceitos ideológicos ou sagrados.

É impossível tornar-se inteligente através dos outros, numa transferência de conteúdo mental por meio de um ato de magia ou mística paranormal. Entretanto, como fomos convencidos desde cedo de que isso era possível, desde tarde, ainda continuamos a esperar que um milagre dessa natureza venha a ocorrer, e o mais importante, sem demandar nenhum tipo de esforço de nossa parte.

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