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Vocação na Infância, um assunto ignorado por Pais e Educadores

Um estudo objetivo sobre a Criança e o problema da descoberta de sua Vocação...
"Sem antes conhecer a si mesmo, torna-se impossível compreender os outros..."
Vocação na Infância, um assunto ignorado por Pais e Educadores

Na maioria das vezes, nossas preferências pessoais não poderão servir de modelo para a construção de um acervo de preferências nos outros...

Examinando a Questão...

Quando se induz uma criança a seguir uma carreira profissional, seja para se cumprir uma tradição familiar, ou ainda para pontuar a vaidade de algum parente com alguma influência dentro daquela mesologia doméstica, estamos corrompendo sua natureza original, sufocando sua vocação que ainda não conhecemos, e certamente, depois dessa abordagem, jamais iremos conhecer.

Ainda não sabemos quais são suas predisposições inatas, aquelas inclinações psicológicas mais adequadas ao seu perfil e temperamento, e, no entanto, vamos forçar a mesma a adotar uma postura, que só por milagre não será totalmente contrária às suas tendências.

Psicologicamente podemos ter qualquer personalidade ou comportamentos, e com o tempo, até aceitar, seja por acomodação ou por força de lavagem cerebral, posturas, situações, crenças, ideologias, etc., que não estejam em ressonância com nossa natureza original. Excepcionalmente, também podemos nos identificar com aquilo que esteja mais afinado com nossas predisposições naturais ou idiossincrasias. Nesse caso, podemos chamar a isso de vocação.

O Básico que Pais e Educadores precisam assimilar antes de começar...

Convencer com argumentos uma criança ainda inexperiente, sem lastro de vida suficiente para discernir sobre aquilo que melhor se ajusta ao seu temperamento, sem dar-lhe a conhecer as alternativas, trata-se de um simples processo de lavagem cerebral. Não difere da técnica usada para alienar fanático religioso, criar intolerâncias ou ódio entre grupos étnicos ou sociais.

Pode ser que num primeiro momento esse jovem indivíduo condicionado, não se dê conta de que foi forçado a seguir um caminho profissional à revelia de sua vontade, sem o direito de antes conhecer outras opções. É claro que, muitas vezes, por não conhecer nada mais além daquilo que lhe foi apresentado em casa, sem questionamentos, acabe por aceitar sem resistência, chegando mesmo a desenvolver um vinculo afetivo com a coisa. Mas, tal postura, jamais poderá ser interpretada como vocação.

Quando se institui prêmio e castigo como método para avaliação de alguma coisa, por trás dessa prática, da ideia de admoestações e recompensas, emocionalmente as crianças reagem como se estivessem diante de uma ameaça oculta. E em suas mentes, o sentimento de que algo de negativo poderá lhes acontecer, será a ideia predominante.

Poderão cumprir suas tarefas com resultados satisfatórios, mas nunca com o sentimento pleno de realização pessoal. Não poderão evitar o medo das ameaças que estão implícitas nessa bizarra prática coercitiva. E a partir desse ponto, todas as suas ações terão objetivos compensatórios ou punitivos.

Conhecendo um Pouco mais sobre Vocação...

A descoberta da vocação de uma criança deveria ser a mais importante pauta dentro de todas as pedagogias desse mundo, uma especialidade educacional séria, onde a primeira atribuição do docente seria aprender sobre si mesmo. Nesse processo iria examinar, investigar, descobrir tudo que não sabe sobre o processo vocacional. A lógica é simples: Se nada sabe sobre o assunto, que tipo de assistência poderá proporcionar aos imaturos discentes?

Mas, na pedagogia do copiar e colar, não há espaço para abordagens desse tipo. E a maioria desses jovens passará pela vida acadêmica e pessoal sem conhecer seu verdadeiro perfil vocacional. O pior de tudo é que, de forma direta ou não, esses educadores acabarão por tentar influenciá-los na escolha de suas profissões e preferências, mesmo que tais opções sejam contrárias às suas predisposições naturais.

Os primeiros passos para a Descoberta e Afirmação da Vocação Infantil...

A juventude é a melhor época para se investigar ou questionar qualquer coisa. Uma mente adulta raramente possui essa qualidade, frescor e vitalidade, uma vez que, na maioria das vezes, já está cristalizada, fossilizada, atrofiada e morta pela acomodação. Já se tornou embrutecida, opaca, e nada que signifique mudança é mais do seu interesse. Prefere seguir a rotina da tradição sem questionar, por mais bizarra que seja. E terá na força dos hábitos e tradições seu lugar e aporte seguro, uma oportuna zona de conforto, formidáveis muletas, das quais jamais pretende se separar.

Veja como há em nós uma espécie de conformação; como tocamos nossa vida à espera de um milagre. Estamos sempre no aguardo da chegada de uma onda de mudanças que vindo de fora acabe por contagiar o planeta, e num estalar de dedos, processe uma reconfiguração no mundo, de preferência, de acordo com nossos gostos e aspirações pessoais.

Consciente de tudo isso, pai e educador, se forem capazes de deixar suas próprias limitações e frustrações de lado, deveriam então ajudar suas crianças a se tornarem, desde muito cedo, questionadoras ativos, e não conformados passivos, a exemplo da maioria deles. Só o adulto que adota para si mesmo a condição de curioso, poderá descobrir se há um mundo novo para acolher seus filhos.

Um bom começo seria, por exemplo, questionar, por que nosso mundo, a despeito das novas gerações com todo seu proclamado progresso e aparato tecnológico, continua a repetir na íntegra a mesma mentalidade dos antigos, com todos os seus velhos e obscuros problemas, deformações, medos, frustrações, violência e conflitos existenciais. Na mesma empreitada poderiam enxergar como esse “novo homem”, apesar de vestir uma moderna e sofisticada indumentária, ainda não conseguiu mudar de conteúdo.

Uma criança deve ser observada de longe por pais e educadores, quer dizer, de forma discreta, da mesma maneira que se observa um animal arisco. Assim, pelo estudo dos seus gestos naturais, na sua espontânea maneira de reagir diante das situações diárias, quando deixam transparecer as nuances do seu temperamento original, poderão lhes traçar um perfil básico. E a partir deste, a vocação das mesmas poderá ser descoberta, incentivada, aperfeiçoada, ampliada, fortalecida e potencializada ao máximo.

Pela natural observação de seus atos, das suas primeiras preferências e inclinações, poderá o educador ou o pai investigar se aquilo é uma semente vocacional ou simples compulsão. Isto é, se não se trata apenas uma atração patrocinada por mais um modismo oportunista. Sendo um modismo, logo ela tenderá a abandonar naturalmente a ideia, partindo para outra. Os adultos poderão ajudar investigando de forma reservada o porquê daquelas predileções, e isso se consegue, quando as crianças confiam neles.

Conclusão...

Finalmente, vocação não se descobre a partir de testes psicológicos teóricos, que na maioria das vezes mais funcionam como processos sugestivos ou indutores, que acabarão por desviar a criança das suas verdadeiras disposições. São estes testes, simples gabaritos estatísticos, uma maneira infantil de se tentar determinar um estado embrionário da mente, coisa que não pode ser aferida por protocolos ou conceitos, de quem quer que seja.

Do mesmo modo que a partir de uma descrição não podemos mostrar a alguém a forma concreta de um sentimento, também não podemos a partir de um gabarito determinar uma vocação. Mas podemos, a partir da propaganda, da força de uma sugestão, fazer alguém crer que aquilo é sua preferência ou até um processo de escolha voluntária. A propaganda já faz isso conosco todos os dias. Chamamos a isso de lavagem cerebral com fins comerciais.

Se deixarmos nas mãos desses “especialistas” o futuro vocacional de nossas crianças, logo mais, no exercício de suas profissões, iremos nos deparar com um indivíduo frustrado, apático e sem criatividade. E sua angústia pessoal acabará por revelar o erro cometido a partir daquela tendenciosa e inconsequente escolha.


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