Dicas de Educação Integral
Dicas de Educação Integral
A Criança e a Disciplina
Autores: Jon Talber e Ester Cartago
02 de Fevereiro de 2016
Série: Criando uma Mente Saudável
Será que nosso conhecimento sobre o processo da disciplina, de fato, tem o significado que sugere ter?
"Organização é a completa ausência de motivação para fazer alguma coisa em troca de méritos..."
A Criança e a Disciplina
Disciplina não é o ato de organizar as obrigações, mas o ato de se auto-organizar sem obrigações...
A Criança e a Disciplina
Disciplina não é o ato de organizar as obrigações, mas o ato de se auto-organizar sem obrigações...

Uma criança não possui disciplina, ou ordem interna, ou externa, nem segue regra alguma. As regras foram criadas para padronizar o modo de agir dos adultos, coisa que para ela ainda não faz o menor sentido. Ocorre que numa sociedade organizada, todos precisam seguir as regras, até como uma forma consensual de haver entendimento, e para que não se estabeleça o caos nas relações humanas. Sem essa organização, as leis de uma mesologia ou nação, seriam simples tratados teóricos e inúteis.

Como ela ainda não possui identidade, ou preferências, ou ideais, ou compromissos sociais, ou objetivos de vida, toda sua energia está concentrada na sua imensa disposição para aprender. Aprender qualquer coisa; seja isso desordem ou ordem. E nesse processo, também aprenderá a ser impaciente ou paciente; a valorizar ou a ignorar aquilo que entra pelos seus ouvidos.

Por isso mesmo, sua energia precisa ser direcionada da forma correta, disciplinada e equilibrada, para as coisas práticas que lhe serão úteis, e com menor intensidade, às atividades destinadas apenas a gastar o tempo, aquilo que chamamos de lazer ou passatempos. Nessa etapa, a depender do nível de conscientização do adulto que a assiste, ela aprenderá a ser naturalmente disciplinada, condição necessária para que se torne auto-organizada.

A recreação como a conhecemos, como é tipicamente praticada, apenas serve de meio para aumentar a indisciplina infantil, uma vez que se apóia na falta de objetivos cognitivos claros, de metas diante das quais seja capaz de assimilar alguma coisa proveitosa ao seu aprimoramento, que faculte o desenvolvimento das habilidades necessárias ao seu progresso, motor e mental.

Sentar à frente de um aparelho de televisão e passar horas e horas a assistir programas infantis, quando ali, nada de útil lhe será acrescentado, servindo apenas de incentivo à indolência, preguiça e sedentarismo, é insensato e demonstra uma óbvia falta de interesse na correta educação daquela criança.

Isso tende a atrofiar, desestruturar seu sistema cognitivo. E ali ela aprenderá os primeiros passos para a autoidentificação com manias desnecessárias, que irão servir de guia para vícios e hábitos patológicos, para a criação de necessidades fúteis, sem nenhum valor educativo ou moral.

Do mesmo modo, que comportamento podemos esperar dos nossos filhos se delegamos sua educação a alguém desqualificado, um repositório de vícios, manias e hábitos negativos, sem o adequado conhecimento da psicologia infantil? Qual será a qualidade de sua cognição ao final de tudo isso?

A disciplina de cada um existe quando aprendemos a colocar ordem em nossas atividades e compromissos, e em qualquer tarefa que nos propomos a realizar. Disciplina não é cumprimento de horários, ou obrigações, ou aceitação de certos padrões. Isso não passa do comprometimento com as regras por receio de retaliações, o que passa longe do sentido de organização. Organização é a completa ausência de motivação para fazer alguma coisa em troca de méritos.

A motivação pessoal sem o desejo explícito por compensações no cumprimento de uma tarefa, pelo simples prazer de ver um trabalho, depois de iniciado, concluído, isso acaba por criar no indivíduo uma espécie de ordem interna, um sentimento de organização espontâneo, um compromisso para com ele mesmo. Desse compromisso nasce um forte desejo de ver seu trabalho realizado, daí surge a disciplina.

Esta ordem interna se aprende, quando lhes explicamos porque devem iniciar e concluir qualquer tarefa, por mais irrelevante que possa inicialmente parecer. Mesmo que seja o ato de calçar uma meia. Isso deve ficar claro para ela, o porquê está fazendo aquilo, qual a função, o que se espera como resultados, quais os benefícios daquela ação.

Se desde o principio explicamos a ela tais coisas, a disciplina forçada, aquela motivada pela prática de castigos e recompensas, torna-se coisa sem fundamento, desnecessária. Torna-se até um momento agradável aquele hábito esclarecedor, quando fica consciente dos motivos da realização de uma tarefa, qualquer que seja.

Assim a criança, de forma lúdica, pratica a coisa sabendo por que o faz. Informada desse fato, o qual poderá comprovar na prática, estará autoconsciente de seus deveres, efeitos e causas de suas ações. Isso favorece o desenvolvimento do senso de organização, que é o caminho natural para a autodisciplina, ou vice e versa.

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