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O Drama do Educador e a Educação
Autor: Jon Talber e Ester Cartago[1]

Matéria revisada em 17 de Novembro de 2014

Série: Criando uma Mente Saudável
Sem antes conhecer a si mesmo, suas falhas pessoais, defeitos, manias e dependências, torna-se o educador um mero replicador das psicopatologias sociais com as quais convive diariamente.
"Sem antes conhecer a si mesmo, torna-se impossível compreender os outros..."

Lápis e borracha
Disciplina não é o ato de organizar as obrigações, mas o ato de se auto-organizar sem obrigações...

E eis a questão: Se estamos insatisfeitos, em conflito conosco e com o resto do mundo, repletos de medos primários, tomados por mágoas e os mais variados preconceitos, como podemos estar qualificados para estruturar de forma equilibrada a mente de uma criança ou jovem, ainda não contaminada pelo caos que já é parte integrante de nossa personalidade?

A lógica é bastante simples: A humanidade, grupo do qual fazemos parte, criou as sociedades distorcidas onde vivemos, com seus problemas e conflitos, e está qualificada apenas para repetir aquilo que já sabe fazer bem, ou seja: criar mais confusão. Pense bem: poderia uma distorção ser capaz de criar uma nota harmônica? Se insistirmos em continuar com esse processo, será apenas isso que vamos deixar como patrimônio para nossos filhos e discentes.

O problema não é então educar a criança, mas primeiro educar o educador. Essa regra se aplica tanto aos pais quanto a qualquer outro que se proponha a ensinar, ou constituir família. E nesse processo o educador se torna um permanente educando, aquele que ainda não sabe, mas que agora tem consciência disso. Ciente do fato, só assim estará pronto para exercitar sua inteligência, que até agora permanecera inativa, no fundo de sua mente, em estado de hibernação.

Vejam quantos anos e rigor se exige para que um advogado, engenheiro, ou outro profissional especializado seja autorizado a exercer sua função. E ainda há um conselho de classe, que avalia e certifica essa qualificação, e só então terão a permissão oficial para o exercício regular de suas profissões ou papéis sociais. No entanto, para se exercer a função de pai – nos referimos ao casal –, que deveria ser o mais importante papel dentro de uma sociedade criativa, sensata, justa, paradoxalmente, para o exercício de tão importante cargo, nenhum pré-requisito ou treinamento prévio é exigido.

Sem essa conscientização, qual será a qualidade psicológica dos nossos filhos, agregados, tutelados ou alunos? Poderemos, de forma consciente, justa e coerente, educar, direcionar, preparar alguém para os grandes desafios da vida, se nós mesmos, como instrutores, nunca recebemos uma orientação apropriada? E se como indivíduos ainda não somos detentores de uma estrutura emocional e psicológica equilibrada, pela lógica, isso também não tende a refletir na qualidade psicossomática dos nossos descendentes?

Se tudo que o pai ou educador tem para oferecer aos seus filhos e alunos for apenas aquilo que já receberam da sociedade, o que inclui seus conflitos, frustrações e distorções, então isso é insuficiente, não temos vislumbre de mudanças à frente.

Promessas de dias melhores, na prática, não significam coisa alguma. O problema existe nesse momento, e sonhar com melhorias que virão num tempo incerto, patrocinadas por mãos alheias ou feitos milagrosos que desafiam a racionalidade, tudo isso reflete apenas nosso mais elevado sentimento de ignorância, imaturidade, acomodação e preguiça; expressa uma óbvia falta de vontade pessoal para tentar corrigir o que não presta.

Se para o educador ensinar significa replicar os conceitos distorcidos que já se arrastam através das incontáveis gerações, isso não serve. Outros já fizeram a mesma coisa. Afinal de contas, somos o resultado de tudo isso, e convenhamos, o resultado deixa muito a desejar. Então a questão é: de onde virá a solução?

O educador, se levar a sério seu magistério, deve fazer o seguinte questionamento e inventário de si mesmo: “Tenho a intenção de moldar meus educandos de conformidade com tudo que já se pratica, além de repetir os velhos costumes, crenças e superstições; todo esse decadente ideário de felicidade instituído através dos tempos, ou há algo absolutamente novo, fora de toda essa confusão, que possa lhes oferecer?”


Para responder a essa questão ele deve começar avaliando a si mesmo. Descobrir o que lhe falta, aquilo que o impede de ser feliz; de viver em paz, livre de qualquer tipo de conflito, do assédio dos seus medos. Sem esse exercício e inventário básico, onde se fará uma autoinvestigação capaz de pontuar por que as coisas não funcionam como deveriam, não há chance alguma de promover as mudanças necessárias.

E o pai ou educador interessado nessa questão, durante esse processo de autoanálise, deverá fazer uma lista de seus pontos fracos, suas falhas ou defeitos, assim como enfatizar seus traços fortes, suas qualidades ou virtudes, aquilo que pode ser melhorado. Estes últimos serão os atributos ou aportes que lhe darão lastro e força para superar os traços falhos. E todo esse conhecimento, depois de compreendido e praticado, deverá ser repassado para seus filhos e alunos.

O que podemos fazer para que nossos discentes e filhos compreendam seus conflitos, as influências que criaram as distorções psicológicas das sociedades, se também não compreendemos nada disso, se ainda não experimentamos em nós mesmos essa transformação?




Autores:
Jon Talber - jontalber@gmail.com
Ester Cartago - estercartago@gmail.com

Veja mais detalhes sobre os autores nas notas abaixo.


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Proibida a reprodução para fins comerciais sem a autorização expressa do autor.

Notas sobre O Autor:
[1] Jon Talber é Pedagogo, Antropólogo e escritor especializado em Educação Integral.

Ester Cartago é psico-orientadora em educação infantil e fundamental. Pesquisadora em comportamento social e Fobias, escritora de contos infantis e colaboradora eventual do nosso Site.

Observação: Os autores não possuem Website ou página pessoal no Facebook ou em qualquer outra Rede Social.

Mais artigos do autor em: http://www.mundosimples.com.br

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