Folclore Brasileiro Ilustrado
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Folclore Brasileiro Ilustrado - O Mito da Velha Bruxa
Autor: Editoria de Pesquisas Site de Dicas[1]
15 de Fevereiro de 2016
Série: Personagens do Folclore Brasileiro
Nos mitos está a essência de grande parte de nossas crenças e superstições...

Os Aspectos Gerais do Mito da Velha Bruxa

O Mito da Velha Bruxa
Os Mitos, quando bem compreendidos, podem servir como ferramenta para estudo da nossa psique.
O Mito da Velha Bruxa
Os Mitos, quando bem compreendidos, podem servir como ferramenta para estudo da nossa psique.

A Bruxa para as crianças é a figura clássica da mulher velha, alta e magra, corcunda, queixo fino, nariz pontudo, olhos pequenos e misteriosos, cheia de sinais nos cabelos e manchas na pele.

O principal trabalho das Bruxas é carregar meninos que teimam em não dormir cedo, ou em alguns casos, mantendo os vestígios do mito de origem Europeia, sugar seu sangue sem que ninguém a veja, já que é capaz de se tornar invísivel. No Norte do país ela é conhecida como Feiticeira.

Para evitar que a Bruxa entre numa casa, deve-se riscar nas portas os símbolos cabalísticos, ou seja, o sinal de Salomão, que é uma estrela de seis pontas feita com dois triângulos, ou a estrela de cinco pontas, que é o sagrado pentágono citado por Cornélio Agripa [2], ou ainda as palhas secas do Domingo de Ramos postas em forma de cruz. Novelos de fios da fibra do Caroá, espécie de planta usada para fazer barbantes, linhas de pesca e tecidos, também serve.

E ao encontrar o novelo à sua frente, A Bruxa então se vê obrigada a parar, e só entrará naquela casa, após contar fio por fio daquele feixe de fibras do Caroá ou Gravatá.[3]

A tradição é a mesma na Europa. Em Portugal é um molho de fios. Na Itália, mata-se um cachorro, e a Bruxa é então obrigada a contar os fios de cabelos do animal.

Com uma foice molhada na água benta ou outra lâmina, como uma faca, de forma compassada, de meia-noite ao primeiro cantar do galo, deve-se ferir o ar em volta do berço onde dorme a criança que está sendo sugada pela Bruxa.

Ao fazer isso, um golpe pode acertar a Bruxa e assim ela perde o encanto. Isso quebra suas forças e ela retoma sua forma humana desprovida de seus poderes malignos.

Em outros estados, Minas Gerais, estado do Rio de Janeiro e Goiás, a Bruxa se transforma em borboleta noturna (Mariposa), uma espécie amarelada que aparece quando o sol se põe.

Diz-se que a Bruxa é a sétima filha. Sempre aparece em torno do número Sete, número que tem um forte apelo místico desde o tempo dos magos Caldeus.

Informações Complementares sobre a Velha Bruxa

Nomes comuns: A Bruxa, a Feiticeira, Súcubo, Sucubus, Velha Bruxa.

Origem Provável: É de origem Européia, muito antiga, e os elementos que nos chegam vieram de Portugal.

Na Europa, as Bruxas se reunem nas noites de sexta-feira, sendo presididas pelo Diabo em pessoa. Todas que estão no grupo deverão se despir. Estas Bruxas voam sentadas em cabos de vassouras. De acordo com a tradição Brasileira, ela, a Bruxa, algumas vezes se apresenta como uma velha carregando uma pequena trouxa de roupa, e quando vê uma criança, logo lança sobre a mesma Mau Olhado.

Quando uma Mulher já teve seis filhas, partos sequenciais, antes de nascer uma sétima, para livrar-se da maldição de virar Bruxa, deve a mãe colocar nela nome masculino. Caso não faça isso, e se nasce menina, ao completar sete anos se transforma em borboleta. Então entra pelas fechaduras das portas para chupar o umbigo das crianças recém nascidas. E assim, logo a criança adoece de um mal chamado de "Mal de sete dias", que é muito grave, mortal.

Para livrar as crianças desse mal, a parteira deve colocar embaixo da cama da mulher que deu à luz, uma tesoura aberta, que é um milenar símbolo de proteção.

Documentário - Debates e Relatos sobre o Mito da Velha Bruxa

Manuel Ambrósio, em seu livro, Brasil Interior[4], relata o seguinte episódio.

A muié que pare incarriado seis fia femea, condo é pra tê as sete, bota logo o nome de Adão, tudo trocado, senão a menina vem, e logo sai Bruxa.

Assim que chega no sete ano vira aquela barbuletona, entra p'la fechadura da porta da muié parida e xupa o embigo das criança que morre c'o mal de sete dia, conde a parteira não é boa mestra e esquece de botá a tesoura aberta debaxo da cama da parida, onde a criança nasce.

Outros Mitos do Folclore Brasileiro
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[1] A Editoria de Pesquisas Folclóricas, é composta por dois antropológos, sendo um deles também folclorista, historiador e publicitário. Contamos ainda com a colaboração de uma pedagoga e antropóloga especializada em Tradições Populares e Costumes Antigos, e também com as valorosas contribuições dos nossos leitores.
Veja aqui nossa Bibliografia consultada.

[2] Heinrich Cornelius Agrippa von Nettesheim (Enrique Cornélio Agripa de Nettesheim), nascido a 14 de setembro de 1486, foi um famoso escritor, filósofo, alquimista, cabalista, médico e mago alemão. Considera-se que também tenha sido um assumido feminista, um ponto de vista muito ousado para o seu tempo.

Sua principal obra, De occulta philosophia libri tres (Os Três Livros da Filosofia Oculta), publicada em Paris no ano de 1531, é uma compilação de todo conhecimento medieval sobre magia, astrologia, alquimia, medicina e filosofia natural. Erudito de fama e protegido por distintas casas reinantes ou nobres, foi amigo de grande parte dos filósofos e de pessoas influentes de sua época. Durante um tempo esteve a serviço dos imperadores Maximiliano I, de Carlos I da Espanha, como biográfo, e do rival desse último, o Papa Clemente VII.

Esteve nas mais conhecidads universidades européias de seu tempo, como estudante, como professor de Hebreu e de Filosofia.

[3] Caroá ou Gravatá é uma Planta nativa do Nordeste do Brasil, cujas folhas fornecem longas fibras de grande resistência e durabilidade, muito usada na confecção de móveis, cordas, cordões, e outros artefatos artesanais.

[4] Manuel Ambrósio Brasil Interior, p.21. (Palestras Populares, folclore das margens do São Francisco). Januária, Minas Gerais, 1912, Editado em São Paulo, 1934.

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