Folclore Brasileiro

Os Personagens
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Índice: Folclore Brasileiro Ilustrado: Os Personagens

A Lenda da Bruxa
Editoria de Pesquisas do Site de Dicas [1]

Aspectos Gerais do Mito

Bruxa
Dos antigos até nossos dias, os mitos longe de expressarem fantasias, retratam bem nossas angústias, ideias religiosas, superstições que fazem parte de nossas convicções mais vivas.

A Bruxa para as crianças é a figura clássica da mulher velha, alta e magra, corcunda, queixo fino, nariz pontudo, olhos pequenos e misteriosos, cheia de sinais nos cabelos e manchas na pele.

O principal trabalho das Bruxas é carregar meninos que teimam em não dormir cedo, ou em alguns casos, mantendo os vestígios do mito de origem Europeia, sugar seu sangue sem que ninguém a veja, já que é capaz de se tornar invísivel. No Norte do país ela é conhecida como Feiticeira.

Para evitar que a Bruxa entre numa casa, deve-se riscar nas portas os símbolos cabalísticos, ou seja, o sinal de Salomão, que é uma estrela de seis pontas feita com dois triângulos, ou a estrela de cinco pontas, que é o sagrado pentágono citado por Cornélio Agripa [2], ou ainda as palhas secas do Domingo de Ramos postas em forma de cruz. Novelos de fios da fibra do Caroá, espécie de planta usada para fazer barbantes, linhas de pesca e tecidos, também serve.

E ao encontrar o novelo à sua frente, A Bruxa então se vê obrigada a parar, e só entrará naquela casa, após contar fio por fio daquele feixe de fibras do Caroá ou Gravatá.


A tradição é a mesma na Europa. Em Portugal é um molho de fios. Na Itália, mata-se um cachorro, e a Bruxa é então obrigada a contar os fios de cabelos do animal.

Com uma foice molhada na água benta ou outra lâmina, como uma faca, de forma compassada, de meia-noite ao primeiro cantar do galo, deve-se ferir o ar em volta do berço onde dorme a criança que está sendo sugada pela Bruxa.

Ao fazer isso, um golpe pode acertar a Bruxa e assim ela perde o encanto. Isso quebra suas forças e ela retoma sua forma humana desprovida de seus poderes malignos.

Em outros estados, Minas Gerais, estado do Rio de Janeiro e Goiás, a Bruxa se transforma em borboleta noturna (Mariposa), uma espécie amarelada que aparece quando o sol se põe.

Diz-se que a Bruxa é a sétima filha. Sempre aparece em torno do número Sete, número que tem um forte apelo místico desde o tempo dos magos Caldeus.

Informações Complementares:
Nomes comuns: A Bruxa, a Feiticeira, Súcubo, Sucubus, Velha Bruxa.

Origem Provável: É de origem Européia, muito antiga, e os elementos que nos chegam vieram de Portugal.

Na Europa, as Bruxas se reunem nas noites de sexta-feira, sendo presididas pelo Diabo em pessoa. Todas que estão no grupo deverão se despir. Estas Bruxas voam sentadas em cabos de vassouras. De acordo com a tradição Brasileira, ela, a Bruxa, algumas vezes se apresenta como uma velha carregando uma pequena trouxa de roupa, e quando vê uma criança, logo lança sobre a mesma Mau Olhado.

Quando uma Mulher já teve seis filhas, partos sequenciais, antes de nascer uma sétima, para livrar-se da maldição de virar Bruxa, deve a mãe colocar nela nome masculino. Caso não faça isso, e se nasce menina, ao completar sete anos se transforma em borboleta. Então entra pelas fechaduras das portas para chupar o umbigo das crianças recém nascidas. E assim, logo a criança adoece de um mal chamado de "Mal de sete dias", que é muito grave, mortal.

Para livrar as crianças desse mal, a parteira deve colocar embaixo da cama da mulher que deu à luz, uma tesoura aberta, que é um milenar símbolo de proteção.

Documentário:
Manuel Ambrósio, em seu livro, Brasil Interior[3], relata o seguinte episódio.

A muié que pare incarriado seis fia femea, condo é pra tê as sete, bota logo o nome de Adão, tudo trocado, senão a menina vem, e logo sai Bruxa.

Assim que chega no sete ano vira aquela barbuletona, entra p'la fechadura da porta da muié parida e xupa o embigo das criança que morre c'o mal de sete dia, conde a parteira não é boa mestra e esquece de botá a tesoura aberta debaxo da cama da parida, onde a criança nasce.






Notas:

[1] A Editoria de Pesquisas Folclóricas, é composta por dois antropológos, sendo um deles também folclorista, historiador e publicitário. Contando ainda com a colaboração de uma pedagoga especializada em Tradições Populares e Costumes Antigos, e ainda com as várias e valorosas contribuições dos nossos leitores.
Veja aqui nossa Bibliografia consultada.

[2] Heinrich Cornelius Agrippa von Nettesheim (Enrique Cornélio Agripa de Nettesheim), nascido a 14 de setembro de 1486, foi um famoso escritor, filósofo, alquimista, cabalista, médico e mago alemão. Considera-se que também tenha sido um assumido feminista, um ponto de vista muito ousado para o seu tempo.

Sua principal obra, De occulta philosophia libri tres (Os Três Livros da Filosofia Oculta), publicada em Paris no ano de 1531, é uma compilação de todo conhecimento medieval sobre magia, astrologia, alquimia, medicina e filosofia natural. Erudito de fama e protegido por distintas casas reinantes ou nobres, foi amigo de grande parte dos filósofos e de pessoas influentes de sua época. Durante um tempo esteve a serviço dos imperadores Maximiliano I, de Carlos I da Espanha, como biográfo, e do rival desse último, o Papa Clemente VII.

Esteve nas mais conhecidads universidades européias de seu tempo, como estudante, como professor de Hebreu e de Filosofia.

[3] Manuel Ambrósio Brasil Interior, p.21. (Palestras Populares, folclore das margens do São Francisco). Januária, Minas Gerais, 1912, Editado em São Paulo, 1934.

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