Índice: Folclore Brasileiro Ilustrado: Os Personagens
A Lenda do Chibamba
Editoria de Pesquisas do Site de Dicas [1]
Aspectos Gerais do Mito
Os Mitos, quando bem compreendidos, podem servir como ferramenta para estudo da nossa psique.
Fantasma que faz parte do ciclo das assombrações criadas para assustar crianças, para fazer parte
dos seus pesadelos noturnos. Seu provável local de origem é o sul de Minas Gerais.
Amedronta as crianças que choram, as teimosas e as malcriadas, e também aquelas que insistem em não querer ir dormir cedo. É uma espécie de Bicho Papão mineiro, cujo papel é adormecer as crianças pelo medo.
O primeiro historiador brasileiro a documentar esse mito foi o pesquisador Vale Cabral[2].
E sua aparência é sem dúvida singular. Anda envolto em longa esteira de folhas de bananeira, ronca como se fosse um porco e dança de forma compassada enquanto caminha. Às vezes, em meio à sua peculiar caminhada, dá uma paradinha seguida de giro[3].
O nome é um vocábulo africano, na verdade de origem Bantu, e teria como significado uma espécie
de canto ou dança africana à exemplo do Lundu[4].
Há uma quadrinha que diz:
Êvém o Chibamba, nêném, ele papa minino, cala a boca!...
O Chibamba vestido de folhas de bananeira e dançando, lembra a África de onde o nome
é originário. Em Angola e Congo ainda os negros, em suas tradições festivas e folclóricas, dançam
vestindo elaboradas roupas feitas de folhas, ramos e galhinhos de plantas locais.
Na Ásia, entre os antepassados dos Laos, da indochina francesa, chamados de Pu Nhiê, há
uma dança. Os Pu Nhiê, em certa época, vestindo folhas e peles, surgem com máscaras de monstros
excêntricos. E Dançam lentos, compassados, dando giros misteriosos[3], ao som de tambores.
O Chibamba é um remanescente
dos rituais negros da África, que se transformou em Cuca, ou Negro Velho,
e se tornou encarregado de fazer dormir à força as crianças. O fato de "roncar como um porco" é uma
adaptação brasileira.
Chibamba, pelo nome e maior influência negra que indígena em Minas Gerais, é
africano. Ali ele vive, fazendo as crianças dormirem, mesmo quando não estão com vontade.
Informações Complementares:
Nomes comuns: Chibamba.
Origem: É africana.
De fato, os nativos africanos se vestiam com folhas e usavam máscaras assustadoras nos seus
rituais de pesca, caça e mesmo religiosos. Sua chegada ao Brasil mineiro, em seus terreiros
festivos, onde as amas pretas de leite cuidavam dos seus bebês e também das crianças
brancas, explica o surgimento do Chibamba como criatura assustadora.
Era uma oportunidade e tanto mostrar às crianças, aqueles figurantes caracterizados como monstros
cobertos de folhas e mascarados, como uma entidade que viria atormentar crianças que não
queriam dormir.
Na tradição africana, os figurantes cobertos de folhas e mascarados, simbolizavam a
reencarnação dos seus antepassados, que ora os visitavam, para abençoar suas
festas, caçadas, colheitas, guerras e rituais de casamento.
Também os nossos índios dançavam envoltos em folhas e tecidos vegetais. Não é uma tradição
dos Tupis, mas entre os pajés do Brasil colônia. Estes dançavam, nas horas dos rituais
religiosos, disfarçados, cobertos de folhas e pintados com corantes vegetais. A dança lenta, rodada,
com os figurantes cobertos com vestimentas ornamentadas, era tradição entre os Gês, Nu-aruacos e Caraíbas.
Mas a influência para a existência do
Chibamba mineiro é mesmo africana.
Notas:
[1]
A Editoria de Pesquisas Folclóricas, é composta por dois antropológos, sendo um deles também folclorista, historiador e publicitário. Contando ainda com a colaboração de uma pedagoga especializada em Tradições Populares e Costumes Antigos, e ainda com as várias e valorosas contribuições dos nossos leitores.
Veja aqui nossa Bibliografia consultada.
[2]
Alfredo do Vale Cabral é uma das figuras mais importantes da Biblioteca Nacional pelas iniciativas inéditas, por sua dedicação e pela qualidade dos serviços prestados. É também considerado por muitos um de nossos grandes estudiosos do folclore brasileiro, e o maior, desse conjunto de manifestações culturais, da Bahia.
[3]
A dança grave, em giro, é bem africana e sem dúvida de finalidade religiosa. As outras, coletivas, festivas, em ritmo mais agitado, são rituais de pesca e caça.
[4]
O lundu ou lundum é um gênero musical contemporâneo e uma dança brasileira de origem africana que possuía forte caráter sensual e batida rítmica dançante. Foi criada a partir dos batuques dos escravos bantos trazidos ao Brasil de Angola e influenciada por ritmos portugueses. Basicamente era dançado por dois bailarinos que, no centro de uma roda, sapateavam, mexiam os quadris e davam as tradicionais "umbigadas".
Esta dança se tornou uma forma musical dominante durante todo o século XIX, e o primeiro ritmo africano a ser aceito pelos brancos. Neste período, surgem os mais importantes compositores que representam esta forma musical e a viola é adotada entre os instrumentos de corda utilizados.
Atualmente é considerada uma tradição ameaçada de desaparecer, sendo praticada ainda na região do Pará, na ilha de Marajó.