Folclore Brasileiro Ilustrado
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Folclore Brasileiro Ilustrado - O Mito do Curupira
Autor: Editoria de Pesquisas Site de Dicas[1]
15 de Fevereiro de 2016
Série: Personagens do Folclore Brasileiro
Se nossos medos mais ocultos se tornam representações alegóricas vivas, compreender esses temores nos faculta então a cura desses medos...

Os Aspectos Gerais dO Mito do Curupira

O Mito do Curupira
Muitas angústias humanas se escondem por trás dos Mitos...
O Mito do Curupira
Muitas angústias humanas se escondem por trás dos Mitos...

É um Mito do Brasil que os índios já conheciam desde a época do descobrimento. Índios e Jesuítas o chamavam de Caiçara, o protetor e senhor da caça e das matas, cujos segredos sabe e defende.

Na descrição mais comum, é um anão de Cabelos Vermelhos, com Pelo e Dentes verdes ou azuis. Como protetor das Árvores e dos Animais, costuma punir os agressores da Natureza e o caçador que mate por prazer. Se diz que é muito poderoso e forte.

Seus pés voltados para trás, serve para despistar os caçadores, deixando-os sempre a seguir rastros falsos. Quem o vê, perde totalmente o rumo, e não sabe mais achar o caminho de volta. É impossível capturá-lo. Para atrair suas vítimas, ele, às vezes chama as pessoas com gritos que imitam a voz humana. É também chamado de Pai ou Mãe-do-Mato, Curupira e Caapora. Para os Índios Guaranis ele é o Demônio da Floresta. Às vezes é visto montando um Porco do Mato.

A função o Curupira é proteger as florestas. E todo aquele que derruba, ou por algum outro motivo estraga inutilmente as árvores, é punido por ele com a pena de ficar perdido por dias dentro dos bosques, desorientado, sem saber nem o próprio nome, incapaz de acertar o caminho de volta para casa e sem a lembrança de quem são seus parentes, ou onde mora[2]. O Curupira também persegue os caçadores em casa com seus assobios. Para fazer ele calar-se basta bater-se em um pilão.

É crença entre os selvagens e moradores dos campos e florestas, que quando alguém avista o Curupira, pode ter certeza de uma coisa, a partir daquele momento, a infelicidade o acompanhará por um bom tempo, e todo empreendimento no qual se aventure, terá grandes chances de dar errado.

Dizem que quando o indivíduo vê-se perdido no mato, encantado pelo Curupira, para quebrar o encanto que o faz esquecer completamente o caminho de volta para casa e por vezes a própria identidade, deve fazer três cruzes com gravetos e colocá-las no chão em forma de triângulo. Pode ainda fazer outras tantas rodinhas de cipó que colocará também no chão e que o Curupira dá-se ao trabalho de desfazer[3]. Pode-se ainda fazer pequenas de cruzes de Cauré (leguminosa de casca aromática, empregada em banhos medicinais) que irá atirar pelas costas.

Uma carta do Padre Anchieta datada de 1560, relatava: "Aqui, há certos demônios a que os índios chamam Curupira, que os atacam muitas vezes no mato, dando-lhes açoites e ferindo-os bastante".

Os índios, para lhe agradar, deixavam nas clareiras, penas, esteiras e cobertores. De acordo com a crença, ao entrar na mata, a pessoa deve levar um Rolo de Fumo para agradá-lo, caso o encontre.

O Curupira foi o primeiro duende selvagem das américas que o europeu documentou em papel. Do litoral paulista, em maio de 1560, José de Anchieta o divulga aos países distantes. A maioria dos cronistas colonias inclui seu nome entre os entes mais temidos pelos índios.

Dentre as muitas lendas, conta-se que o Curupira, algumas vezes, vira-se em caça que nunca pode ser alcançada, mas que nunca desaparece dos olhos do caçador. E este, que na esperança de a alcançar a presa, deixa-se levar aos confins da floresta, de onde não consegue mais sair, já que seus rastros que o poderiam guiá-lo de volta, são apagados.

Conta-se também que as vezes ele se deixa facilmente abater pelo caçador. No entanto, quando o caçador vai pegar sua vítima, descobre que atingiu um amigo, ou um parente, mulher ou filho, que estava sob encanto do Curupira.

É crença também que ele tenha o poder de ressuscitar animais mortos, ou que ele seja o pai do moleque Saci Pererê.

Vigiando árvores, conduzindo manadas de porcos-do-mato, veados ou pacas, assobiando estridentemente, corre o pequeno e ágil duende, o mais vivo dos deuses das florestas, o derradeiro justiçeiro e protetor da vida silvestre, o preferido das estórias infantis.

O Curupira e suas variações pelo Brasil:

É visto como um deus que protege as florestas. É crença que quando se aproxima uma tempestade ele costuma bater nos troncos das árvores, para ver se estão firmes para suportar o mau tempo.

Por isso, não é raro encontrar caçadores ou viajantes, que já tenham escutado as misteriosas batidas nos troncos das árvores à vespera dos grandes temporais ou ventanias.

No Amazonas, geralmente é um tapuio pequeno, de 4 palmos. Nas regiões de Santarém, Rio Negro e Tapajós, ora é calvo, ora de cabeça pelada e corpo peludo, ou com um olho só; pernas sem articulações e sem orifícios para as excreções.

Em sua viagem para o sul o Curupira passa a se chamar Caapora, Caiçara, Zumbi, e é amigo dos cães e porcos-do-mato. Em Pernambuco só tem um pé. Do Maranhão ao Espírito Santo chama-se Caipora.

Curupira, corpo de menino - de Curu abreviação de Curumi e Pira corpo.

No geral, no Nordeste e Norte do Brasil, o Curupira é A Caipora, e gosta de aguardente e fumo. Nas matas do Pará, Amazonas e Acre, a Caipora moderna, aceita comércio amoroso com os homens. Mas quem a trai leva uma surra de cipó espinhento. No Nordeste, a Caipora, que é mulher, monta o porco-do-mato e ressuscita os animais abatidos.

Informações Complementares sobre o Curupira

Nomes comuns: Caipora, Curupira, Coropio, Coropira, Currupira, Pai do Mato, Mãe do Mato, Caiçara, Caapora, Anhanga, Flor do Mato, Zumbi, etc.

Origem Provável: É oriundo da Mitologia Tupi, e os primeiros relatos oficiais, datam da carta de Anchieta, em São Vicente, a 31 de maio de 1560. Depois tornou-se comum em todo País, sendo juntamente com o Saci, os campeões de popularidade. Entre o Tupis-Guaranis, existia uma outra variedade de Caipora, chamada Anhanga, um ser maligno que causava doenças ou matava os índios.

Existem entidades semelhantes entre quase todos os indígenas das américas Latina e Central. Em El Salvador, El Cipitío, é um espiríto tanto da floresta quanto urbano, que também tem os mesmos atributos do Caipora. Ou seja, pés invertidos, capacidade de desorientar as pessoas, etc. El Cipitío chama-se Curupi na Argentina e Paraguai, e nessas regiões ele gosta mesmo é de seduzir as mulheres.

E conforme a região, ele pode ser uma mulher de uma perna só que anda pulando, ou uma criança de um pé só de formato redondo. Outras vezes pode ser um homem gigante montado num porco do mato, seguido por um cachorro de aparência esquisita chamado Papa-mel.

Outros Mitos do Folclore Brasileiro
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[1] A Editoria de Pesquisas Folclóricas, é composta por dois antropológos, sendo um deles também folclorista, historiador e publicitário. Contamos ainda com a colaboração de uma pedagoga e antropóloga especializada em Tradições Populares e Costumes Antigos, e também com as valorosas contribuições dos nossos leitores.
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[2] Couto de Magalhães - O Selvagem, edição de 1876, pp. 138/139.

[3] NO Mito da Velha Bruxa há uma referência semelhante. NO Mito, para se evitar o assédio da Bruxa, ou que ela entre na casa, coloca-se as palhas secas do Domingo de Ramos em forma de cruz, ou então Paina[4], ou fios de Gravatá[5]. A Bruxa é então obrigada a parar e só entra depois de contar fio por fio.

[4] A Paina é uma fibra natural semelhante ao algodão, oriunda dos frutos da paineira. É usado como enchimento para colchões e travesseiros.

[5] Gravatá é uma Planta cujas folhas fornecem longas fibras, de grande resistência e durabilidade, muito usada na confecção de móveis, cordas e outros artefatos.

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