Folclore Brasileiro

Os Personagens
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Índice: Folclore Brasileiro Ilustrado: Os Personagens

A Lenda do Lobisomem
Editoria de Pesquisas do Site de Dicas [1]

Aspectos Gerais do Mito

O lobisomem
Por que será que uma grande parte dos nossos temores teimam em se esconder dentro da escuridão da noite?

Diz a lenda[2] que, quando uma mulher tem 7 filhas e o oitavo filho é homem, esse menino será um Lobisomem. Também o será, o filho de mulher amancebada com um Padre.

De acordo com a tradição popular, como homem, o Lobisomem é extremamente pálido, magro, macilento de orelhas compridas e nariz levantado. Mas o menino nasce normal. Porém, logo que ele completa 13 anos, a maldição começa.

Na primeira noite de terça ou sexta-feira, depois do seu aniversário, ele sai e vai até uma encruzilhada. Ali, no silêncio da noite, longe de tudo e de todos, se transforma em Lobisomem pela primeira vez e uiva para a lua.

A partir desse dia, toda terça ou sexta-feira, ele corre pelas ruas ou estradas desertas com uma matilha de cães no seu encalço. Nessa noite, ele visita 7 partes da região, 7 pátios de igreja, 7 vilas e 7 encruzilhadas. Por onde passa, açoita os cachorros e apaga as luzes das ruas e das casas, enquanto uiva de forma horripilante pro alto.

Antes do Sol nascer, quando o galo canta, o Lobisomem volta ao mesmo lugar de onde partiu e se transforma outra vez em homem. Quem estiver no caminho do Lobisomem, nessas noites, deve rezar três Ave-Marias para se proteger.


Para quebrar o encanto, é preciso chegar bem perto, sem que ele perceba, e bater forte em sua cabeça. Se uma gota de sangue do Lobisomem atingir a pessoa, ela também vira Lobisomem.

Em todas as cidades, vilas e povoados do Brasil, o Lobisomem faz parte da mitologia local. Embora os motivos para se ser Lobisomem variem de um lugar para o outro, a tradição portuguesa ainda vive: "Toda mulher que tiver sete filhos machos, pode ter certeza que um deles vira Lobisomem. E, sendo sete meninas, uma, cedo ou tarde, vira Bruxa".

No sul do Brasil, há a crença de que seja castigo[3] por incesto. Diz assim a tradição: "Eram os homens que havendo tido relações incestuosas, emagreciam. E todas as sextas, altas horas da noite, saíam de casa transformados em cachorro ou porco e mordiam as pessoas. Quem fosse mordido ficava sujeito a mesma maldição".

No norte, a maldição não tem razões morais. O Lobisomem é uma determinante do "amarelão" (ancilóstomo), ou paludismo. Todos os anêmicos são dados como candidatos à maldição. Transformados em lobos ou porcos, cães, ou animais misteriosos, correm dentro da noite atacando homens, mulheres, crianças e todos os animais recém-nascidos ou novos. Suga o sangue das vítimas para continuar vivo.

No Brasil, não há mulher Lobisomem. O Lobisomem em sua aparência humana é fastidioso. Gosta de comida salgada, picante, e vive sempre com muita sede. Ele ainda anda devagar, bocejando, e é sempre pálido, muito pálido.







Notas:

[1] A Editoria de Pesquisas Folclóricas, é composta por dois antropológos, sendo um deles também folclorista, historiador e publicitário. Contando ainda com a colaboração de uma pedagoga especializada em Tradições Populares e Costumes Antigos, e ainda com as várias e valorosas contribuições dos nossos leitores.
Veja aqui nossa Bibliografia consultada.

[2] O Mito do Lobisomem nos foi trazido pelo colono europeu. Está em todos os países e épocas, com histórias parecidas, sob vários nomes, registrado até nos livros eruditos. É um dos mitos mais complexos e obscuros pela antiguidade e divisão, as adaptações, modificações, locais, de cada região.

[3] A crença da metamorfose humana em Lobo, por um castigo divino, atravessou os séculos. Na Inglaterra, São Patrício transformou em Lobo o rei de Gales. Vereticus e São Natálio, na Irlanda, mandou que um homem ficasse lobo durante sete anos. Na Rússia a tradição era viva. A maioria dos lobos, cujas alcatéias famintas uivavam nas noites geladas de dezembro, eram pecadores amaldiçoados por crimes cometidos na terra. Estavam assim cumprindo penitência e um dia voltariam à comunhão de todos os fiéis.

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