Índice: Folclore Brasileiro Ilustrado: Os Personagens
A Lenda do Zumbi
Editoria de Pesquisas do Site de Dicas [1]
Aspectos Gerais do Mito
Por que será que uma grande parte dos nossos temores teimam em se esconder dentro da escuridão da noite?
Vem do Quimbundo[2] nzumbi, espectro, duende, fantasma.
Para as antigas tradições africanas, vem do termo nzámbi, divindade, título
adotado pelos chefes sociais. Entre os Cabindas[2], quer dizer Deus.
Zumbi foi o título do chefe dos rebelados escravos que se refugiaram no
Quilomdo dos Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas. Em Sergipe, Zumbi é um
negrinho que se confunde com o Saci, que aparece nos caminhos em meio à mata e é companheiro
da Caipora, mas não usa a carapuça vermelha.
Anda nu ou quase nu, sempre procurando crianças que vão pegar frutas silvestres no meio do mato, para desorientá-las com seus longos e finos assobios, ou surrá-las, assim como já faz o Curupira.
No Rio de Janeiro, fala-se de um Zumbi da meia-noite, um espectro que vagava
à noite alta pelas ruas intimidando as pessoas. Relato semelhante a esse, também foi colhido
no interior de Pernambuco, apenas que neste, ele canta: "Lá vem o Zumbi da Meia-Noite..". E
se perde dançando na noite.
Há também referências a um Zumbi diabinho malicioso, moleque. Zumbi também se diz Feiticeiro.
Uma vaga tradição fala de um Zumbi retraído, misterioso, taciturno, saindo apenas à noite.
O Vocábulo Zumbi ficou também na tradição popular para designar um ente fantástico que
vagueia tarde da noite dentro das casas abandonadas.
Segundo historiadores[3], nos contos das amas de crianças, assim
seria chamado um ser misterioso, uma espécie de feiticeiro, retraído, das altas horas da noite. Daí
a expressão popular "Você está feito Zumbi", quando nos referimos a quem passa à noite em claro.
Estar feito Zumbi, com insônia, vagueando pela noite por esse motivo ou por hábito. Esta
frase parece vir das noites sem dormir e vigílias do zumbi, o chefe negro da República
do Quilombo dos Palmares, para não ser surpreendido em ataques noturnos pelos seus inimigos.
As acepções para o Zumbi são muitas. Para os Angolenses, é gente que morreu, alma do outro mundo. Na
tradição oral de outras nações africanas, é fantasma, Diabo que anda à noite pelas ruas. Quando
os Negros viam uma pessoa astuciosa, que se metia em encrencas, diziam: "Zumbi anda com ele", isto é,
o Diabo está no corpo dele.
Às vezes ele aparece como um adulto pequeno e cresce quando alguém dele
se aproxima, para curvar-se em forma de arco sobre o indivíduo.
Notas:
[1]
A Editoria de Pesquisas Folclóricas, é composta por dois antropológos, sendo um deles também folclorista, historiador e publicitário. Contando ainda com a colaboração de uma pedagoga especializada em Tradições Populares e Costumes Antigos, e ainda com as várias e valorosas contribuições dos nossos leitores.
Veja aqui nossa Bibliografia consultada.
[2]
Indivíduo Sul-africano ao qual pertenciam, entre outros, os escravos chamados no Brasil
de Angolas, Cabindas, Benguelas, Congos, etc.
[3]
Nina Rodrigues, o grande médico, antropólogo e pesquisador brasileiro, que usava a grafia Zambi
escreveu:
...segundo a impressão que dele recebi na infância, nos contos das amas de menino, assim se designaria um ser
misterioso, algo de feiticeiro, escuso e retraído, só trabalhando e andando a desoras. Daí a sentença popular
"Você está feito Zambi" para crismar aquele que é de natural macambúzio, ou tem o vezo de passar as
noites em claro, ou ainda prefere o trabalho a horas mortas.