Um Grito de Alerta
Um Grito de Alerta
Série: Compreendendo o Comportamento Infantil
As Crianças e o Alcoolismo...
Autor: Alberto J. Filho [1]
25 de Março de 2016

Paciência é um atributo pessoal que também se Aprende...

Grito de Alerta
Não há como fugir disso: sem o bom exemplo de casa, vai restar o mau exemplo da rua...

As Crianças e o Alcoolismo...

Como uma esponja que absorve tudo que está à sua volta, assim é a inquieta, viçosa e curiosa mente infantil, uma espécie de livro em branco, onde se pode escrever qualquer coisa, inclusive aquilo que não presta. Trata-se de uma vasta área vazia, inicialmente sem nenhuma construção, onde os posseiros, mal ou bem intencionados, poderão fundar suas colônias, e na maioria das vezes, com pouca ou nenhuma resistência do inocente latifundiário.

Imitar é o jogo predileto dessa mente, é a única coisa que importa. E como ainda é ingênua, ou mal informada sobre todas as coisas, o conceito de errado ou certo é algo que não faz parte do seu repertório cognitivo. Logo, pensar em discernimento nessa hora é como exigir que um cão amestrado seja capaz de dissertar uma longa conferência para sábios em Aramaico.

Agora observe as festinhas infantis, os aniversários, as reuniões sociais, onde os pais e familiares recebem os amigos; onde comida e bebida são ingredientes que não podem ficar de fora, e na verdade, trata-se do verdadeiro motivo existencial por trás de tais encontros. E tais eventos servem apenas como fachada para justificar a comilança e a bebedeira sem controle, e, em meio a esse banquete gastronômico, claro, estão os indispensáveis preparados alcoólicos. Sem eles não existiriam as festas; sem eles não haveria combustível para motivar e engrenar o alegre processo de “socialização” entre anfitriões e convidados.

São os bebedores moderados ou sociais, como enfatizam, com eufemismo jocoso, as campanhas publicitárias encarregadas de criar novos viciados e fidelizar os antigos. E embora finjam mascarar sua intenção por trás de frases de alerta deploráveis do tipo: “Beba com moderação...”, claro que essa nunca poderia ser sua intenção, uma vez que se todos bebessem com moderação, os conglomerados fabricantes de tais drogas etílicas deixariam de prosperar.

E ali onde reina a alegria patrocinada pelo álcool, os adultos bebem, e sob os efeitos inebriantes das misturas etílicas, demonstram publicamente a imensa satisfação que lhes proporciona aquele divinizado preparado, tratado pelos organizadores como motor formal e obrigatório de socialização, o caminho mais curto para a felicidade, uma coisa que ostenta o invejável status de elixir dos deuses.

É impossível que tais adultos, completamente desfigurados e arrebatados pelos efeitos hipnóticos e alienantes da ingestão destas drogas, não se destaquem diante dos demais, especialmente quando exibem comportamentos bizarros, que muitos consideram como demonstração de satisfação, plenitude existencial ou contentamento ímpar.

E embora tudo aquilo seja antinatural, naquele meio patológico, é autenticado com especial louvor. Trata-se de um estado de “ser” diferenciado, longe da apatia que parecem demonstrar todos os outros, aqueles que estão sóbrios, ou não drogados, que ainda se atrevem a adotar o papel de “normais”.

Para os mais jovens, especialmente as crianças, aquilo servirá como um gabarito, um exemplo viável, que objetivamente poderá ser imitado. No entanto, como se a lição de casa não bastasse, alguns adultos vão além, e para satisfazer a curiosidade dos seus filhos pequenos, ou como uma expressa representação formal de machismo, lhes oferecem pequenas doses dos preparados alcoólicos.

E na cabeça de tais adultos, já deformadas pelos efeitos degeneradores de tais drogas, tudo aquilo representa um raro ritual de iniciação, um mérito capaz de tornar aquele jovem mais destacado, superior, uma espécie de afilhado das divindades etílicas tão cultuadas naquelas ocasiões.

Está feito. Depois disso, basta aguardar que a esmagadora força midiática cumpra seu papel. E logo, as campanhas publicitárias que doutrinam, incitam, apóiam e autenticam esse costume espúrio, cuidarão de dar as formas definitivas à iniciativa prévia dos pais, afirmando que aquilo é uma necessidade, ou o pior, um desejável e exclusivo fator de inclusão social para todos os jovens.

Agora uma informação importante. Há pouco tempo atrás, há aproximadamente 10 anos, a proporção de mulheres viciadas em drogas derivadas do álcool era de 10 para 1. Atualmente essa proporção é de 2 para 1, e em muitos casos, a favor das mulheres. Isso demonstra o efetivo sucesso das campanhas patrocinadoras das drogas, que são oferecidas com requintadas superproduções cinematográficas para impressionar e fisgar aqueles que ainda estão indecisos. E você, o que tem feito para proteger, resguardar, blindar seu filho contra tamanho e sofisticado assédio?

Um comentário final: Se você já é capaz de perceber tudo isso, esse texto terá sido útil para você, senão, esqueça tudo o que leu.


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