Dicas para Autorreciclagem

12 Verdades sobre Disciplina que você Provavelmente ainda não Conhece...

um Guia Prático para que o leitor seja capaz de fazer uma avaliação do seu próprio nível de Disciplina, ou mesmo reciclar aquilo que já sabe sobre o assunto.
"Disciplina é o princípio da ordem interna que aflora a partir da desordem externa..."
12 Verdades sobre Disciplina que você Provavelmente ainda não Conhece

Um indivíduo sem disciplina jamais poderá se tornar inteligente...

Introdução...

A despeito das muitas polêmicas sobre o assunto, diante de fatos não sobra espaço algum para contestações e debates improdutivos. Quando refletimos profundamente sobre uma questão, é porque há interesse de nossa parte em resolver o problema. Entretanto, a elucidação nunca ocorre sem uma autoinvestigação, uma comprovação, seja através dos fatos, da autovivência, ou ainda de uma experimentação lúcida. Lembre-se, nada substitui a comprovação através do experimento pessoal.

Refletir partindo de um alicerce abstrato ou hipotético, se assemelha a crença de que os contos infantis medievais, os populares contos de fada, aqueles recontados desde muitas gerações por nossos pais, avós e bisavós, não estão recheados dos mais escabrosos relatos de horror.

Para entendermos um pouco mais sobre disciplina, eis uma relação de tópicos que poderão ser usados como sugestões para reflexão sobre o tema, o que poderá servir como guia introdutório para quem deseja ampliar seus conhecimentos. E como sempre, nunca acredite em nada sem antes avaliar, ponderar, investigar, e depois digerir. Nesse caso, o processo digestório é sempre lento, pois requer comprovação. Experimente, faça os testes, examine a lógica racional de cada coisa antes de passar adiante ou adotar como modelo cognitivo para si mesmo.

Eis as Dicas...

  • Qual a diferença entre disciplina e ordem? Na verdade não há, e ambos são aspectos complementares de um só atributo, a inteligência. Inteligência não é a simples capacidade de aprender através do intelecto, mas, antes disso, trata-se do processo consciente que permite ao indivíduo aprender o que é necessário ou útil. Sendo a disciplina um dos principais atributos da inteligência, e desse modo, em consonância com a ordem, se tornam potencializadores mútuos.
  • Disciplina é a arte de conduzir a si mesmo sem desvios ou distrações. E tudo começa quando os pais descobrem o óbvio, que eles próprios são indisciplinados. A partir da constatação da própria indisciplina ou desordem, se de fato estiverem interessados na correta educação dos filhos, acabarão por se autorreciclar. Eliminadas as manias que serviam de gabaritos involuntários para a indisciplina dos filhos, estes não mais se tornarão seus clones psicopatológicos. Esse exemplo de mudança postural representa um método disciplinador de excepcional valor cognitivo.
  • A disciplina surge com a necessidade, que por sua vez aflora quando percebemos a desordem à nossa volta. E como ainda não sabemos o que é a ordem, só podemos estudar aquilo que não é. E dessa observação cuidadosa seguida do exame apropriado, quando se constata que tudo é desordem, poderá, finalmente, surgir a ordem. Paradoxalmente, a comprovação dessa desordem, é o marco inicial do processo de autodisciplina.
  • Disciplina não é a adoção de rotinas ou hábitos repetitivos, mas, ao invés disso, a manutenção do foco, responsabilidade e compromisso na execução das tarefas externas, a partir da harmonia interna. Entretanto, sem uma decisão pessoal ela não pode florescer. E quando, no dia a dia, se aplica a disciplina de forma consciente e lúcida, então poderá surgir a ordem.
  • Um burro de carga não é um animal disciplinado e sim domesticado. A domesticação é simples automatismo, conformação com a rotina pela força de um hábito, obrigação ou sujeição. Lembre-se sempre de que, adquirir um hábito ou vício é coisa simples e rápida. No entanto, desfazer-se dele depois é sempre um processo lento e dramático, e muitas vezes sem resultados profícuos.
  • Assim, disciplina não é conformação ou domesticação. Em ambos não há um mínimo de consciência, o que se opõe a disciplina onde há um máximo. O disciplinado está consciente de que o é, enquanto que o domesticado pelo hábito, submissão ou obrigação, nunca está.
  • Mas a disciplina requer humildade, que não é servidão ou conformismo, a exemplo dos comportamentos religiosos. Um religioso nunca será verdadeiramente disciplinado, uma vez que segue preceitos, ordens e padrões, o que pode contrariar sua natureza e predisposições inatas, mesmo que nunca admita ou venha sequer a perceber a existência de tal condição.
  • E o estado de disciplina não pode coexistir onde existe subjugação ou conformação de qualquer natureza, o que significa conduta por injunção. O mais adequado seria considerarmos essa postura passiva como automatismo.
  • E se a auto-organização é um dos mais elevados estados existenciais do homem, a disciplina é o processo através do qual se chega a ela. Organização é o meio pelo qual a desordem é desfeita, enquanto que a disciplina é o meio, princípio e fim pelo qual essa organização é na prática aplicada.
  • Quando se visualiza a disciplina, logo se imagina o uso rotineiro de alguma técnica segundo um protocolo rígido. Pode ser ainda a execução de alguma tarefa a partir de um hábito, ou talvez o processo da obrigação no cumprimento de alguma atividade regular. Mas, disciplina não é nada disso, uma vez que é um estado existencial, livre, e não uma condição patrocinada por leis, dogmas, tradições, prescrições da mesologia, desejo de ganho ou mérito.
  • A Infância é a melhor época para se disciplinar uma criança. Ela ainda não está contaminada com nossos vícios, hábitos, paranóias, crenças, dogmas e tabus, princípios que nos obriga a seguir uma linha de ação muitas vezes contrária às nossas disposições inatas ou vontade. Por isso é mais simples lapidar esse perfil ainda livre, não recheado por opiniões patológicas; um cérebro inocente, onde um domínio mais amplo do Ego ainda não é uma realidade.
  • E para que aflore naturalmente, o costume de recompensar a criança apenas pelo fato de cumprir seus deveres formais, deverá ser descartado. O ato de cumprir um dever o será sempre por consciência e nunca por coerção. Na coerção jamais existirá o processo disciplinar natural, mas, antes disso, apenas o exercício regular de uma atividade motivada por pagamento, o mesmo princípio já adotado na prática da corrupção.

Por fim...

Finalmente, reflita sobre o assunto antes de aceitar o que aqui está escrito. Só o questionamento voluntário permite a experiência pessoal consciente, o único caminho para o aprendizado lúcido. Teste em si mesmo, faça a digestão antes de aplicar em sua rotina diária ou repassar adiante.


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