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Compreendendo as Crianças pela análise dos seus traços comportamentais mais Fortes

O educador por vocação nunca se sente escravo ou cativo de sua profissão, por isso nunca trabalha sob o jugo da obrigação...
"Um dos paradoxos humanos é compreender a natureza do seu Ego, uma entidade que ora finge ser bondoso para angariar méritos, ora finge que nada recebeu para não compartilhar seus ganhos com mais ninguém..."
Compreendendo as Crianças pela análise dos seus traços comportamentais mais Fortes

Convém nunca esquecer que ingenuidade não é sinal de burrice ou estupidez, apenas de falta de maturidade...

É sempre importante lembrarmo-nos de que o conhecimento dos traços comportamentais fortes de uma criança, ou virtudes, acaba por colocar em nossas mãos uma poderosa ferramenta capaz de nos capacitar na tarefa de potencializar todo seu processo cognitivo.

A criança recém saída do berço possui sentidos mais aguçados do que um adulto. E também são usados de forma intensa, e por mais tempo, pois sua mente ainda não se distrai brincando de mesclar ou burilar lembranças, aqueles pensamentos construídos a partir das memórias apenas de quem já possui uma larga experiência de vida.

Sua curiosidade é infinita. Não existe dia inadequado ou mais propício para aprender. Como ainda não pensa de forma lógica, ainda não é controlada por tradições, ou pelas instáveis emoções conscientes. Por isso tudo lhe parece sempre novo, fresco, inédito.

E como ainda não tem senso crítico, erros e acertos são tratados como se fossem coisas semelhantes, afinal de contas, os dois procedimentos acabarão por levá-la numa só direção, que é o acúmulo de experiências, sejam negativas ou positivas.

Sem experiência, ainda não sabem o que é o medo. De fato, crianças são como livros com folhas em branco, onde podemos escrever qualquer coisa, inclusive um conteúdo positivo.

Inicialmente são motivadas por natureza ou instinto e não por orientação. Mas isso não quer dizer que o processo sugestivo não seja capaz de motivá-las, ou fazer o caminho inverso.

Mas o tamanho de sua motivação é diretamente proporcional ao sentimento de liberdade assim como a fertilidade do ambiente onde estão. Daí a importância, nessa fase da vida, de adultos conscientes ao seu lado. Restrições demais inibem o desenvolvimento da inteligência e da criatividade. Liberdade sem critérios permitem o desenvolvimento da indisciplina, desorganização, e ações sem objetivos concretos. Encontrar o ponto de equilíbrio contempla em deixar a criança livre para criar, mas fora do eixo dos excessos.

As crianças são sociáveis por natureza, e esse atributo é ao mesmo tempo um ponto fraco e um ponto forte. Fraco porque a torna vulnerável ante as armadilhas das crianças mais velhas ou de adultos mal intencionados. Forte porque não são resistentes aos novos aprendizados, desafios e descobertas.

O lado positivo da falta experiência de vida é sua alta receptividade aos novos conhecimentos. Mas isso pode se tornar uma fraqueza, se, com o tempo, também não adotarem para si o princípio da dúvida. Trata-se de uma cláusula obrigatória para um desenvolvimento cognitivo saudável.

Sem o princípio da dúvida poderão ser enganadas com falsas verdades. Por outro lado, a partir da prática da dúvida, terão os meios necessários para investigar e nunca aceitar sem antes digerir, qualquer argumento não possível de ser comprovado.

Como são naturalmente curiosas, isso faculta que aceitem com facilidade a boa pedagogia. Mas, como ainda não possuem um discernimento mínimo, uma vez mais, poderão cair nas armadilhas do mau conhecimento.

Possuem mais facilidade para aprender outro idioma além do nativo. Isso ocorre porque suas sinapses cerebrais estão mais receptivas e sua audição mais afinada para perceber com mais clareza as diversas variações fonéticas.

É a melhor época para aprenderem sobre ética, cidadania e bons costumes. Mas isso deverá ser feito através de uma linguagem compatível com seu nível de compreensão, ou seja, o exemplo. As explicações, nesse estágio, têm sua importância, mas o exemplo é capaz de esclarecer mais que mil palavras.

Respeito e consideração, caso aprendam nesse ciclo da vida, com o reforço do exemplo pessoal, jamais irão esquecer. A mesma regra vale para os pensamentos positivos, e a lei de causa e efeito, onde suas ações, quaisquer que sejam, inevitavelmente, terão como resultantes coisas negativas ou positivas.

É a melhor ocasião para ensinar-lhes o significado de uma ação negativa e outra positiva. Do modo como as pessoas poderão se beneficiar com um ato positivo ou se frustrar com o seu inverso.

É ainda o melhor momento para a compreensão do significado da velhice e sua importância social e cognitiva para os mais jovens, assim como sua condição de desprezo e indiferença pela sociedade patológica. Para tudo isso, não existe melhor ocasião que esse estágio etário.

E por que esconder de uma criança o lado feio da vida, se ela não poderá passar ao largo dessa realidade no futuro? Acaso irão transmigrar de um planeta para outro à medida que crescem? Pode estar nas mãos delas a erradicação desses milenares e deformados paradigmas patológicos, e tudo isso vai depender da qualidade de sua instrução primária. Nesse caso não podemos contar com aquela orientação que receberão na escola, e sim com aquela que assimilarão em seu ambiente doméstico, em seus primeiros anos de vida.

Na fase preliminar da vida, se uma criança recebe dos pais carinho, respeito e bons exemplos de conduta, jamais, sob nenhuma condição externa, patrocinada ou não pelas circunstâncias ou acaso, irá optar por caminhos nosográficos.

Nesse tempo, a velha máxima: “A primeira impressão é aquela que fica”, acredite, é a mais pura verdade. Por isso cuide de dar sempre uma primeira boa impressão, com um primeiro bom exemplo. Seu cérebro novinho em folha estará pronto para fixar com grande nitidez, pelo resto da vida, essa boa orientação. Mas, aqui vale um alerta. Bom exemplo significa regularidade, continuidade, e não eventualidade.

A mesma regra vale para os maus primeiros exemplos. Lembre-se, você já está contaminado pelos maus hábitos e psicopatologias sociais, ela ainda não. E nesse primeiro momento, o mais importante da vida dela, você é o fator que irá determinar qual será a qualidade primária dos seus pensamentos, assim como a base preliminar da sua cognição.

Por outro lado, a outra máxima: “A última impressão é a que fica”, também tem impacto importante sobre seu padrão de conduta. Por isso o exemplo dado não pode ser aquele que muda de acordo com as estações do ano. Nesse caso a regularidade é que fará toda diferença. Lembre-se, se você dá um bom exemplo e depois desfaz tudo com um mau, o conflito estará instalado em sua pequena mente, e você perderá toda credibilidade e gabarito como cognitor.

E se sua vulnerabilidade consolidada pela inocência é seu Calcanhar de Aquiles, esse também é seu ponto mais forte. Embora pareça um paradoxo, não é. Inocência nesse caso significa flexibilidade para aprender, de forma livre e criativa, sem o peso dos vícios, crenças doentes, dogmas e os tabus limitadores do conhecimento, e todos os demais entraves próprios da força condicionadora.

vPor isso suas sinapses cerebrais, quando recebem o esclarecimento e a orientação adequada, seguido do imprescindível exemplo comprobatório, desenvolverão sólidos músculos criativos. Lembre-se inteligência é uma conquista voluntária e não uma contingência.

Por fim...

E por último, o atributo do aprender a aprender, se introduzido em sua vida nessa época, poderá criar raízes permanentes. E essa é a mais importante qualificação que um ser humano pode receber enquanto em vida, o caminho natural para a descoberta da vocação e caminho da autorrealização.

Sem esse status mental a criança jamais será capaz de praticar o autodidatismo, aquela condição onde indivíduo aprende através do autoexame de si mesmo. Nesse estado de ser, onde seu status consciencial poderá aflorar, ela terá possibilidades concretas de descobrir quem é como entidade humana, e qual o seu verdadeiro papel existencial.


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