Dicas para Autorreciclagem

O Que Nunca nos Informaram Sobre as Crianças

A diferença entre o mau e o bom profissional não é apenas sua competência, mas também a qualidade do seu caráter...
"Uma pedagogia que segue à risca o status de uma mesologia doente não é capaz de conceber alunos psicologicamente saudáveis..."
O Que Nunca nos Informaram Sobre as Crianças

Lembre-se sempre de que, o resultado das ações do potencial adulto que está naquela criança, vai depender da qualidade da instrução que ora ela recebe...

Compreendendo a Criança...

O cérebro de uma criança é como um imenso livro com páginas em branco, onde se pode escrever qualquer coisa. E a qualidade dessa escrita fará toda diferença na construção de sua cognição e personalidade.

Uma criança não é um pequeno adulto, uma vez que ainda carece de muita experiência de vida. No entanto, possui sentidos mais apurados que um adulto, assim como uma capacidade de atenção superior. É capaz de perceber detalhes inconcebíveis para alguém mais velho, embora seja incapaz de classificar, opinar ou deduzir sobre o que está acontecendo.

É ingênua, mas não burra ou estúpida. Ingenuidade é uma consequência natural da falta de vivências. Já o intelecto é um atributo inato a qualquer primata humano. Ingenuidade é queimar a mão porque ainda não aprendeu o que é queimadura. Burrice é queimar a mão repetidas vezes por menosprezar um risco já conhecido.

Não se deve confundir má informação com incapacidade intelectual. O intelecto é neutro, e lá dentro podemos colocar qualquer coisa, inclusive aquilo que não presta. O cérebro irá assimilar do mesmo modo como o faria com algo mais edificante. Ele é apenas um recipiente projetado para armazenar, não importa qual seja a qualidade do conteúdo.

Assim, a criança pode ser dotada de um intelecto saudável, que, no entanto, por ter sido mal orientada, irá agir de forma equivocada. Mas, como ainda não possui um lastro de referências capaz de conscientizá-la sobre aquilo que é correto, ela não pode ser chamada de burra. A burrice existe quando ela conhece os dois aspectos e ainda assim permanece no erro.

Qualificando a Cognição Infantil...

O ato de desenhar é tão natural para criança quanto o de ouvir histórias. A prática do desenho desenvolve a autoestima, o senso de disciplina e organização. Favorece ainda a criatividade, cria novas sinapses cerebrais e potencializa processos psicológicos para melhoria geral da cognição.

Ao contar histórias para seu filho, os pais estreitam os laços de amizade entre ambos e cria a motivação necessária para que venha a se tornar um futuro leitor. Comentar as historinhas com a criança é uma excepcional oportunidade de introduzir em sua vida o hábito do diálogo, uma forma saudável de comunicação nas relações interpessoais.

Como resultado, ela irá crescer mais segura de si, e não padecerá com as tradicionais barreiras psicológicas que existem entre os jovens quando o assunto é o diálogo com os pais. Confiança se conquista a partir do convívio espontâneo e nunca com o contato dissimulado, ou respeito por obrigação.

A boa música, aquela instrumental, harmônica, ou com melodia suave e ritmo equilibrado, confortam e potencializam sua capacidade cognitiva. Os tons cadenciados reforçam as sensíveis sinapses cerebrais, que são os conectores encarregados de conduzir sinais ou pulsos bioelétricos potencializadores das funções cerebrais, e isso contribui de forma dramática para o incremento da memória e patrocina o equilíbrio emocional.

A singular importância dos Pais no processo Cognitivo...

Uma boa cognição contempla bons exemplos seguidos de claros e objetivos esclarecimentos ou explicações. Obviamente, esse processo sempre começa em casa, mas deveria ser reforçado na escola. No entanto, os pais não poderão confiar nessa equação, uma vez que a escola tradicional, já faz tempo, abriu mão de qualquer atribuição dessa natureza.

Por isso, para começar, deverão os pais introduzir como pauta cognitiva para os pequenos o princípio da dúvida. Mas, sem alienações e extremismos, e sim com ponderação e paciência. Também deverão explicar o que significa o ato de investigar, de modo que elas se tornem capazes de encontrar por conta própria respostas para os seus atuais e futuros questionamentos.

Agir por conta própria não significa guiar-se por opinião pessoal, mas ter autonomia e imparcialidade na condução dos seus processos exploratórios. Por isso é tão importante ensinar o que significa o ato de aprender a aprender. E a partir do autoaprendizado as crianças se tornam mais capazes, autossuficientes, mas sem arrogância ou extremismos.

Explicar para uma criança o valor de um bom conselho só irá funcionar se além das palavras o caso for ilustrado com o respectivo exemplo. Assim, ao ver que os pais praticam aquilo que defendem através de argumentos verbais, também reconhecerão aquela orientação como de grande valor para suas vidas.

O castigo ideal ocorre quando a criança tem como punição a perda de algum privilégio pessoal já conquistado, como, por exemplo, o direito de usar o computador. Depreciar a criança com gritos ou ofensas, além de não corrigir seu comportamento doentio, só vai criar problemas sérios com a sua autoestima.

Autonomia não quer dizer arrogância, muito menos o imbecilismo que naturalmente aflora a partir da vaidade por se achar sabedor de tudo. Isso também se aprende primariamente em casa, mas é uma condição que pode ser reforçada através da televisão, redes sociais ou entre amigos. Mas lembre-se, o contato com os amigos e tudo mais sempre irá ocorrer depois do convívio primário com os pais.

Compreendendo a Força do Condicionamento Doméstico...

Na convivência com os amigos, se os filhos já saem de casa contaminados com manias e hábitos desabonadores, o caminho para a deformação já estará traçado. Do mesmo modo, durante o convívio com os mesmos amigos, se já saem de casa contagiados pelos bons hábitos e esclarecimentos adequados, o caminho para o companheirismo saudável e sem comportamentos patológicos também já foi traçado.

O egocentrismo é natural numa criança, uma vez que ela, apesar de ser dotada de um cérebro capaz de pensar, ainda se guia pelo instinto do animal irracional que também é. No entanto, só irá praticar o egoísmo se primeiro aprender em casa.

Por isso a importância da boa cognição e das boas companhias, assim como dos bons exemplos no início da jornada. Lembre-se sempre de que, todas essas lembranças se tornarão permanentes fontes de referência para futuras consultas durante os momentos críticos de sua vida.

Quando criamos para nossas crianças um reino do faz de contas, estamos criando futuros adultos alienados pela negação do que é real. Só o mundo real é capaz de educar, mesmo com todas suas distorções e defeitos. Afinal de contas, não é esse mundo que também servirá de residência para nossas crianças?

Talvez, ao se tornarem conscientes desde cedo do mundo patológico que existe lá fora, ao contrário de nós que fomos enganados pelas fadas de mentirinha, pode ser que elas resolvam abandonar nosso modelo patológico. Um mundo abonado por nós desde o berço, uma fórmula cujo funcionamento embora seja desastrosa, ainda assim continua a fazer parte dos nossos dias.


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