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O Que Nunca nos Informaram sobre os Jovens

Conheça alguns relevantes traços comportamentais dos jovens que educadores em geral, e especialmente os pais, nunca levam em consideração...
"O indivíduo que caminha no escuro sem tatear, cedo ou tarde cairá em um buraco sem esperar..."
O Que Nunca nos Informaram sobre os Jovens

A responsabilização pelos maus e bons atos praticados também faz parte do processo cognitivo de qualquer indivíduo...

Introdução...

Experiência de vida é um status que não se acrescenta ao nosso repertório intelectual a partir de explicações, textos ou contextos, uma vez que um sentimento ou sensação são estados impossíveis de serem absorvidos através de palavras, por mais qualificada que seja a fonte transmissora.

Longe de Bom senso ser uma atitude inata, isso também se aprende, assim como um mau ou um bom hábito. E do mesmo modo que não existe o sujeito pronto de berço, também não existe o sujeito sem berço.

Isso quer dizer que, os primeiros traços cognitivos virão dos pais, estando eles conscientes ou não desse fato. Lembre-se sempre de que, uma criança tanto aprende pelo modo direto, quanto pelo indireto.

E se no modo direto ela voluntariamente se presta a ouvir o educador, no indireto ela involuntariamente se deixa levar pela pedagogia mesológica. Nesse caso, não depende de sua escolha, uma vez que ela ainda não tem uma personalidade ativa, nem consciência de como qualificar seletivamente seu acervo cognitivo.

Por isso é tão importante uma investigação atenciosa das predisposições inatas e idiossincrasias de cada criança, e, principalmente, entre os jovens. Ali pode estar o segredo que fará toda diferença na construção de uma personalidade dotada de todas as prerrogativas necessárias à construção de um homem sensato.

Examinando alguns traços importantes da natureza de um Jovem...

Já se sabe, faz tempo, que chave para descoberta precoce de cada vocação está guardada dentro do repertório das disposições espontâneas ou inatas. Saber reconhecer estes indícios e potencializá-los através do esclarecimento e argumentos motivacionais, esse deveria ser o papel primário e secundário dos pais, com o aporte complementar das escolas.

De posse dessa informação, os educadores ou pais deveriam cuidar para que um objetivo de vida profícuo, e o mais importante, compatível com aquelas pré-disposições, também se fizesse presente na vida desses jovens. Com esse acervo em mãos, dificilmente o indivíduo se desviaria por caminhos incertos e aventuras negativas. Teria no bolso a chave capaz de abrir a porta para sua autorrealização, de onde, finalmente, poderia vivenciar a verdadeira felicidade, e agora plenamente consciente do seu papel existencial.

A arrogância natural do jovem é a mesma do animal irracional que tão logo aprende a caçar se torna naturalmente imprudente, o que, na maioria das vezes, lhe custa a própria vida. Mas esse descuido na natureza irracional é conhecido como equilíbrio natural das espécies.

No caso do homem racional, por ser capaz de pensar, essa mesma atitude chama-se ignorância, imaturidade, imbecilismo cultural ou mesmo estupidez. Mas, nada disso são aspectos naturais dentro daquele intelecto ainda carente de instrução. Na verdade, já são caracteres adquiridos, extraídos da mesologia e até dos grupos de convivência, onde a adoção de uma mentalidade muitas vezes doente imposta pela hierarquia dos mais velhos é um pré-requisito para tornar-se membro. Depois, com o tempo, irão incorporar tudo isso como traços comportamentais permanentes.

A sensação de força e disposição física proporciona ao jovem o sentimento de independência e autossuficiência, especialmente quando se compara com os mais fracos ou idosos, ou até mesmo com os pais. Por isso são seus pais as primeiras cobaias antagonistas, embora involuntários e inconscientes, que terão pela frente.

E como ele ainda prefere usar o vigor físico ao intelecto, adota a postura do animal irracional e bruto, onde quem possui mais força ou ruge mais alto, especialmente diante daqueles de aspecto mais fraco, aparentemente, sempre vencerá suas contendas.

E a exemplo do irracional, tende a menosprezar aqueles que julga inferiores a si. No entanto, pelo fato de possuir um cérebro racional, o fará intencionalmente, com plena consciência e lucidez, o que serve ainda mais para autenticar sua imaturidade. Entretanto, por considerar tal conduta um indício de fraqueza, estupidez ou inferioridade, dificilmente irá admitir isso publicamente.

Ainda assim, a juventude é a melhor hora para aprender a aprender; para duvidar e investigar e para descobrir qual é o seu papel existencial. Vocação por sugestão ou através da indução de um teste vocacional tem o mesmo valor que terá um diamante para um sapo. Brilha, chama a atenção, entretanto, de nada serve.

O Verdadeiro Papel dos Pais como Educadores...

O educador ou pai que não ensina o jovem a duvidar, está criando um indivíduo que replica pensamentos patológicos e atos bizarros alheios sem pensar. E onde não há a reflexão, não pode existir bom senso, decência ou coerência; muito menos alguma ação equilibrada.

Pais presentes e atenciosos, de forma natural, tenderão a se tornar amigos dos filhos. Ali um escuta o outro, sem repressões ou cobranças desnecessárias, com respeito e consideração, com orientação e esclarecimento objetivo. Nessa condição, acabam por ser tornar confidentes, sem o impedimento das tradicionais barreiras etárias ou formais; sem receios ou medo de ressalvas ou críticas.

Numa situação desse tipo, apenas por uma improvável catástrofe das circunstâncias, esse filho se tornará um adepto das deformações sociais, tais como os vícios ou outros desvios comportamentais sérios.

E se o jovem não encontra ressonância e apoio para seus interesses em casa, ou mesmo para tirar suas dúvidas, logo se tornará presa fácil dos oportunistas mal intencionados, ou bandidos disfarçados de “amigos” que crescem como pragas virais em todos os recantos do mundo lá fora. Um jovem carente e sem suporte em casa é como um cão sem dono, e tenderá a seguir quem primeiro lhe estenda a mão com agrados, não importando com que intenção.

Ele também deve ser informado e conscientizado de que a juventude não é um estado permanente, mas aquilo que pratica e se aprende nesse estágio irá acompanhá-lo pelo resto da vida. Pode acreditar, mas os jovens não estão cientes desse fato, e por isso, na maioria das vezes, tratam com indiferença não disfarçada e até menosprezo os mais idosos.

O jovem pode ser imaturo, mas não é burro. Imaturidade é falta de experiência de vida, não de intelecto. Burrice é quando estamos conscientes de uma falha e a repetimos intencionalmente. Experiência de vida se consegue com o tempo; enquanto que o intelecto já o acompanha desde o nascimento. Qualificar o intelecto com uma experiência de vida proficiente e frutífera, esta é, ou deveria ser, seu principal objetivo existencial.

O jovem deve, desde cedo, ser informado sobre seus deveres, assim como direitos. Deve ainda ser informado de que, o benefício do direito só ocorre quando os deveres também são cumpridos. Do mesmo modo, deverá ser alertados de que, para cada ação, há sempre consequências diretas e indiretas, que poderão ser negativas ou positivas, a depender do tipo de ato praticado.

Por fim...

O jovem, embora inexperiente, partindo do princípio de que não é burro, já é capaz de discernir entre o que é errado ou certo. Logo, isentá-lo de responsabilidades em nome da imaturidade, além de simbolizar um ato extremo de insensatez, torna-se um abono autenticador de ações delituosas, por isso representa uma falha cognitiva das mais graves. Afinal de contas, como foi dito antes, imaturidade não é ausência de intelecto, e por isso mesmo precisa se transformar em experiência de vida, e a atribuição de responsabilidades faz parte desse pacote.


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