Uma Opinião Crítica
Uma Opinião Crítica
Em busca da reflexão perdida
Autor: Editoria: Site de Dicas[1]
28 de março de 2016
A breve história da aventura existencial humana. Qual seria o motivo, o objetivo concreto e irrefutável de existirmos coletivamente como entidades pensantes, e o mais importante, qual o papel individual de cada um de nós nesse processo?
"O pior dos males não é o maior, mas aquele que é consentido..."
Em busca da reflexão perdida
Será que que toda inutilidade, que sabemos para nada servir, isso também precisamos ensinar para as nossas crianças?

Um Conto Reflexivo: Um homem pobre se tornou rico. Mas, tudo fora apenas um sonho, e ao acordar, ele comenta desolado: "Um sonho é capaz de criar ilusões fabulosas, que logo se vão, tomadas por outras ilusões, de uma realidade que nunca virá..."

Em busca de descobrir mais sobre nós mesmos, o que somos, qual o nosso objetivo existencial, perceber o próprio condicionamento não é o objetivo final, mas antes disso, trata-se do primeiro passo.

Quais são nossos valores, aquilo que para nós vale a pena investir tempo, disposição física que se traduz em trabalho, motivação e tudo mais? Qual é a força motriz que nos faz enfrentar todos os dias os protagonistas do imenso campo de batalha no qual se tornou a aventura existencial do homem? O que, afinal de contas, motiva o nosso inteiro viver?

E parece que todos nossos esforços em resolver, mesmo os problemas mais simples, se limitam a explorar apenas a superfície. Quase nunca nos aprofundamos examinando mais de perto todas as nuances da questão, e como regra acabamos por nos contentar com as soluções paliativas, aquelas que nos proporcionem uma maior compensação, ou um maior nível de satisfação, num curto espaço de tempo, com um mínino de esforço.

Desse modo, na maioria das vezes, além de não resolvermos definitivamente o dilema conflituoso, acabamos por criar outros tantos. E uma causa com apenas um efeito, que poderia ter desdobramento simples, se torna complexa, se alastra, tomando proporções que se estenderão para além do nosso alcance. A razão é singular: para impedir que o fogo se alastre não basta apagar o foco de origem, mas, antes de tudo, cuidar para que não exista mais material combustível em ambiente de risco.

Prevenir é evitar problemas, ou o mais importante, minimizar a ocorrência dos mesmos. Trata-se de uma solução antecipada, uma evidência de que ali há inteligência em uso. E se a erradicação de um problema já existente requer aplicação, organização, disciplina, equilíbrio e sensatez, a profilaxia preventiva é uma evidência de atenção, algo só possível onde há o movimento da inteligência em atividade.

Ter capacidade e habilidade para resolver conflitos não é grande coisa, mas aprender a impedir, evitar, que se manifestem, isso sim é coisa relevante. Isso é o melhor sentimento de liberdade que se poderá vivenciar, quando se compreende da forma adequada todo esse processo. Liberdade não é algo que se consegue ao final da trilha, mas muito antes, quando nos damos conta de que essa trilha existe.

E em nossa rotina, o sentimento de competição é tratado como coisa natural. É um movimento que induz o indivíduo a disputar com outrem qualquer coisa a qual seja atribuída algum valor, não importa se esse valor é concreto ou abstrato, se é pequeno ou grande. E surge a angústia de não se perder aquilo que já foi conquistado.

Mas não pode existir competição sem conflito. De fato, a competição já é um conflito, uma vez que estamos diante de antagonistas que disputam entre si a posse de alguma coisa material ou imaterial que não está disponível para todos de forma equânime. Antagonismo é conflito, é o contrário de harmonia, se opõe ao sentimento de coletividade, do compartilhamento e companheirismo voluntário; enfatiza e prioriza o individualismo e a exacerbação do Ego.

E como vivemos num mundo de aparente fartura, especialmente intelectual, na mesma proporção, há também uma carência de prudência e bom senso. E nesse processo do viver onde aparentemente tudo serve, na maioria das vezes, ainda não há o discernimento adequado para se descartar aquilo que é inútil, e por outro lado, promover o uso consciente, sensato e produtivo daquilo que é útil. Isso constitui o primeiro impasse.

E existe um evidente eufemismo que serve de maquiagem para esconder as imperfeições, as deformações, que são aceitas como padrão de normalidade. É como no caso das mensagens “éticas” ou “politicamente corretas” que fazem parte do nosso vocabulário coloquial e culto. Entre elas estão as frases de alerta, que, por força da lei, algumas corporações, os fabricantes de drogas “lícitas”, são obrigadas a veicular agregadas às suas campanhas publicitárias, como forma de esclarecimento ao seu público consumidor.

O exemplo dos produtores das bebidas alcoólicas é notório e deixa isso muito claro. E embora a indecência da venda do produto seja oficialmente consentida e ainda proclamada como um benefício social, por exigência das agências reguladoras oficiais, cada fabricante desse tipo de droga, juntamente com as campanhas de promoção dos seus produtos tóxicos, é obrigado a veicular uma mensagem de cunho educativo, cuja intenção é alertar os consumidores sobre os possíveis malefícios a partir do seu consumo regular.

E se a promoção de um produto se fundamenta em dois alicerces básicos que é o aumento das vendas e conseqüente consumo, e também a potencialização daquela marca na mente dos seus indiferentes partidários, a frase que supostamente incita o consumidor a “Beber com moderação”, além de não representar de fato sua verdadeira intenção, serve de máscara para ocultar seus efeitos nocivos. Mas o objetivo final é esse mesmo: “suavizar” o impacto negativo do produto em questão diante da opinião pública. E aparentemente tem funcionado.

Mas se a prática não ética é aceita de forma natural pelas autoridades que deveriam servir de exemplo, que estão supostamente encarregadas de promover e zelar pelo bem estar da sociedade, então as distorções acabarão por se tornar gabaritos cognitivos para educar cada indivíduo daquela mesologia.

Errar a partir dos acertos, não pode ser considerado um sinal de inteligência. No entanto, os erros, se bem avaliados e estudados, tornam-se uma das mais ricas fontes de reciclagem pessoal. Sem eles não existiriam os acertos. Mas um acerto sem o devido aperfeiçoamento, atualização e potencialização, que não progride extrapolando seu próprio limite, tende a se transformar em um erro. Assim, acertar e cair na estagnação, acomodação, pode ser considerado um erro duplamente qualificado.

Refletir sobre tudo isso nos faculta a despertar um estado dormente de inteligência que antes existia apenas como potencial. Um potencial que não é desenvolvido e depois aperfeiçoado evidencia essa mesma falta de inteligência. Mas a inteligência não pode existir sem o princípio da dúvida, sem a reflexão criativa, aquela que tem como lastro o repertório das nossas falhas pessoais, as distorções evidentes, os entraves que precisam ser tratados, alguns reciclados, outros erradicados.

E nesse caminho, descobrir o que somos, como nos relacionamos com o mundo e com a nossa imensa coleção de conflitos é fundamental. E temos então duas categorias de indivíduos nessa empreitada. Os primeiros são aqueles “não sabedores das coisas”, e que se reconhecendo como tal, desejam mudar. Os outros são os indivíduos que, indiferentes a tudo isso, estão empenhados em aperfeiçoar suas deformações pessoais, suas manias e idiossincrasias patológicas, como se isso significasse progresso.

Da parte do segundo grupo, nenhuma ação, em direção alguma, é necessária, e basta se acomodar e esperar por nada, e assim se realizarão. No entanto, aqueles do primeiro grupo, de posse dos seus atributos recicladores, irão naturalmente descobrir que ao mesmo tempo em que descortinam, descobrem, autorrevelam e autorreciclam os traços fracos do seu comportamento, potencializam e extrapolam seus traços fortes.

De posse desse acervo, aquilo que é de menos se tornará mais; aquilo que é de mais será ampliado. E assim, amparados por esse novo repertório descoberto a partir do despertar da inteligência, finalmente, terão encontrado seu caminho existencial.

Fim do Texto
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Sobre o Autor:
[1] Alberto Silva Filho - albfilho@gmail.com
O autor é um dos organizadores e coordenadores do Site de Dicas.


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