Uma Opinião Crítica
Uma Opinião Crítica
Onde Encontrar o Guia de Cada Um
Autor: Editoria: Site de Dicas[1]
28 de março de 2016
Quando colocamos nosso destino nas mãos de terceiros, abrimos mão do direito à escolha, e nesse caso, não diferimos de zumbis amestrados...
"Na pedagogia tradicional, duvidar de alguma coisa tem o mesmo impacto de um ato terrorista..."
Onde Encontrar o Guia de Cada Um
Assim como disciplina não é domesticação, discernimento não é uma qualidade que se adquire através da leitura de livros ou manuais...

Um Conto Reflexivo: Com o tempo, o agricultor descobriu que perdendo mais tempo na seleção de suas sementes, lucraria mais na colheita dos seus frutos.

Maturidade nem sempre é uma consequência da idade, ou de uma condição inflexível que surge naturalmente a partir da experiência de vida. No entanto, maturidade com discernimento, não pode existir sem o imprescindível lastro das muitas vivências.

Entretanto, como regra, idade e experiência de vida, não determinam o simultâneo florescimento do discernimento. O discernimento é um atributo que não depende de maturidade para existir, mas precisa de maturidade para despertar e permanecer com seu hospedeiro.

Isso quer dizer que, um jovem pode possuir o dom do discernimento como uma qualidade inata, mas, ainda assim irá precisar da experiência de vida para que seja então capaz de fazê-lo aflorar e desenvolver-se. É como um tesouro que se recebe guardado em uma caixa, cujo valor, uma criança ainda não tem como aferir, o que só será possível com o advento da maturidade.

O caminho existencial é uma trilha sem marcas ou delimitações, que deverá ser percorrida por cada congênere humano. E existe o caminho principal, e esse se estende do nascimento ao fim da vida terrena. Nessa estrada virtual e sem forma, as vias adjacentes ou secundárias, existem aos milhares.

Estas poderiam representar as nossas escolhas; os efeitos de cada ato praticado, os efeitos dos atos praticados por terceiros e que nos afetam, enfim, todos os desdobramentos a partir das causas criadas dentro da trama social, da qual somos protagonistas, e mesmo que indiferentes a tudo, nunca sujeitos passivos.

Discernimento é um estado mental de quem aprendeu a controlar as emoções; daquele que compreendeu o verdadeiro objetivo, não da vida, mas da sua vida, e por isso mesmo, sua vontade é inabalável, seu caráter incorruptível, seus interesses factíveis e úteis, pois agora sabe que são necessários para o seu progresso espiritual. Tornou-se disciplinado a partir da auto-organização, que nasceu quando descobriu uma verdade óbvia: ao perder o que não mais lhe servia, ganhou aquilo que mais precisava.

Supondo que ainda não temos essa qualidade, podemos então considerar a todos, senão uma maioria, como aprendizes de natureza principiante. E escolher um caminho não é tarefa simples para principiantes. Principiante escolhe sempre a coisa incompleta, uma vez que ele próprio ainda não tem noção do que possa ser a coisa completa, caso ela exista.

Um caminho também sugere um destino ao final. Mas, como escolher um destino sendo incapaz de saber onde está situado o início? Sim, um calouro, até pela característica da sua natureza, já que é um aprendiz dando os primeiros passos, ainda não tem como saber aonde quer chegar, aquilo que seria o seu destino; muito menos tem uma ideia clara do ponto onde atualmente se encontra.

Pode estar a um passo do caminho, ou milhares distante. E há duas categorias de aprendizes, e um deles é aquele que já possui uma vasta ou longa experiência de vida, por isso, normalmente, tem mais idade. O outro é jovem, tem pouca ou nenhuma experiência, mas ambos estão em busca de uma mesma coisa, o seu verdadeiro destino ou motivo existencial.

E deixando de lado as diferenças etárias, estão em busca de orientação, informações, esclarecimentos que faculte a ambos, pelo menos, a descobrir se existe de fato um caminho a ser percorrido.

Mas caminho existencial não é a mesma coisa que realização material. Uma superior qualificação profissional ou larga experiência de vida, embora façam parte do caminho existencial de cada um, é apenas uma fração da busca. Trata-se apenas de um lance de tijolos na fase mais preliminar da obra final.

A descoberta da verdadeira vocação profissional seria outra camada a ser colocada sobre a anterior. Descobrir o que somos, tanto como personalidades dotadas de muitos comportamentos, quanto qual a nossa intenção como aprendizes, assim como o tamanho do nosso comprometimento com dogmas religiosos e tabus, isso representaria mais um nível na estruturação da parede.

Sendo essa estrada uma trilha não delimitada que conduz ao desconhecido, tanto o caminho quanto destino, nenhum dos dois, admite uma mente que não seja flexível. Uma mente que sabe o que procura vai encontrar o que já conhece. E paradoxalmente, uma mente que não reconhece o que procura, está mais apta a conhecer a verdade.

Um guia só é capaz de conduzir de um ponto conhecido para outro igualmente conhecido. Parte de um ponto que já trilhou, para outro também explorado. Trata-se então de uma mente que conhece o que procura. Sairá em busca de uma projeção de si mesmo, uma continuidade modificada daquilo que já experimentou. O caminho religioso tem essa conformação.

Curiosidade sem inocência tem o mesmo valor que a cova de um cultivo sem sementes. A curiosidade que se presta tão somente a preencher a ociosidade mental, é como um quarto repleto de objetos sem utilidade. Ali se guarda de tudo, na esperança de que um dia venha a servir para alguma coisa. Ocorre que, com o tempo, os objetos se desgastam, perdem sua funcionalidade, e o pior de tudo, o dono nem consegue mais lembrar o que possui.

O que ainda não somos, é isso que se busca. Mas, como encontrar aquilo que ainda não somos se sequer sabemos o que somos? Seria como construir uma casa, que além de não possuir alicerces, começaria pelo teto.

A todos os Erros não intencionais podemos considerar como portas de entrada para os acertos. Um acerto é um caminho trilhado sobre um ou vários erros. Isso é lastro. Lastro não é um guia, mas, antes disso, uma resposta objetiva que pode ser comparada a uma porta que se abre. Ver o que por trás dela se esconde, não faculta o observador a compreender seu conteúdo.

O lastro nos mostra o que há por trás da porta, compreender aquele conteúdo requer mais. Mas, aquilo é o ponto de chegada de um caminho. No entanto, sendo esse um caminho trilhado por um principiante, qual a chance de que aquela trilha o conduzirá a um ponto definitivo, lugar onde encontrará todas as suas respostas?

E há um lugar capaz de abrigar todas as respostas? Lembre-se sempre de que, as respostas que buscamos agora, quando respondidas, servirão se lastro para a elaboração de outras, numa cadeia de proporções infinitas, o que constitui uma busca sem fim.

Quais são as Respostas que se busca, e o mais importante, qual a fonte de referência de onde foram extraídas? Não seria mais inteligente, ao invés de respostas, começar a aprender sobre o que se pergunta? Ao aprender sobre a questão, por reflexo, também não estaremos de posse da solução?

Destino é quando se chega a lugar conhecido, jamais quando se menciona sua existência. Indício não é ciência, mas serve de caminho para a cientificação.

É como no processo da crença, onde um conceito se torna concreto pela repetição, tradição e alienação, mas jamais por ser uma coisa factual, porque foi cientificado através da comprovação. Um alicerce virtual só suporta sobre si formas também virtuais, ilusórias, que dependem de uma crença para existir. Crenças virtuais são anseios pessoais, e sem as pessoas, não possuem existência independente.

A ideia de uma boa colheita de nada serve sem o respectivo plantio, a coisa real, sólida, concreta, de verdade. E assim, do mesmo modo que não é possível de se conhecer o sabor de um fruto a partir de sua descrição, também não é possível construir uma coisa concreta com materiais virtuais ou ilusões.

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Sobre o Autor:
[1] Alberto Silva Filho - albfilho@gmail.com
O autor é um dos organizadores e coordenadores do Site de Dicas.


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