Uma Opinião Crítica
Uma Opinião Crítica
O Princípio da Desinformação
Autor: Editoria: Site de Dicas[1]
27 de março de 2016
Se dependemos dos meios de comunicações para nos manter informados à respeito de todas as coisas, estamos então com um sério problema...
"Aprender a separar o conhecimento inútil do útil, esta deveria ser uma disciplina regular na pedagogia tradicional..."
O Princípio da Desinformação
Imaginar que um rico se preocupa com o problema da desigualdade social equivale a acreditar no mito da existência do político, que além de honesto e altruísta, é bem intencionado...

Conta-se que um homem, por possuir enterrado numa urna um grande tesouro, se achava rico. E assim passou toda sua vida, imaginando viver na opulência, por acreditar na disponibilidade de sua fortuna escondida. Ao fim da vida, chamou seus herdeiros e foi ao local onde estava o baú. Ao descobrir que estava vazio, comentou desolado: “A imaginação nos torna ricos ou pobres, ignorantes ou sábios, e a realidade nos tira toda essa ilusão...”

Há um grande equívoco quando se imagina que estar bem informado é sinal de inteligência. E o pior de tudo é quando imaginamos que estamos bem informados a respeito de alguma coisa.

De fato, posso acreditar em uma mentira e imaginar com isso que estou bem informado, quando a realidade seria exatamente o inverso. Uma crença não é capaz de tornar real aquilo que é uma ilusão. Por exemplo, os sábios da antiguidade acreditavam que a terra era plana, e isso, para eles, significava estar bem informado, e de fato, estavam mais mal informados que uma criança dos nossos dias.

Do mesmo modo, um jovem acredita que está bem informado apenas porque, por hábito, todos os dias, faz uma leitura rápida dos títulos das principais notícias publicadas nos periódicos, mesmo sem conhecer em profundidade o conteúdo de nenhuma dessas matérias.

Mas, o problema maior é quando acreditamos que estamos bem informados, já que nossa fonte de referência possui o status incontestável da credibilidade, e, no entanto, estão a nos ludibriar. Isso pode ocorrer por dois motivos: Primeiro, a fonte divulgadora também é uma vítima, e sem saber, apenas repete uma mentira. Segundo, a informação errada é colocada intencionalmente, e a fonte sabe disso.

Em um mundo onde o tempo se torna cada vez mais escasso, onde cada lacuna desse tempo é ocupada pelos meios de comunicações, que estão sempre em busca de mais audiência para seus produtos, cada indivíduo é assediado diariamente por uma quantidade de informações quase impossível de processar, digerir, e separar de forma lúcida o útil do inútil.

Se o tempo é escasso as informações precisam ser objetivas, breves, nunca completas. E o pior de tudo é que a própria mídia encarregada de divulgar um fato tende a apresentá-lo de uma forma tão reduzida que o leitor – naturalmente já avesso aos textos longos – fica impossibilitado de formar um juízo crítico sobre alguma coisa.

E além de só parcialmente mal informado, sem se dar conta, só toma conhecimento daquilo que convém aos grupos midiáticos, ou governos, ou sistemas de controle das informações. Sim, há um controle de informações, e apenas algumas se tornam conhecidas, outras não. Resultado, o indivíduo além de estar mal informado sobre coisas que não lhe interessam, ainda é condicionado a acreditar que não está.

E com a formação de uma nova geração de jovens que não estão mais dispostos a questionar nada, fica mais fácil a proliferação das ideias e dos comportamentos inúteis, que surgem com o status de símbolos, ou identidades, de um novo tempo.

E existe até a propaganda disfarçada de artigo. Funciona do seguinte modo. Uma empresa encarregada de divulgar um produto, ideia, ou qualquer outra coisa, contrata um competente redator, que por sua vez cria um artigo de impacto, cuja única intenção é promover aquela coisa, sem, contudo, informar ao leitor que se tratar de uma propaganda em forma de artigo. Pode ser um alimento que rapidamente se transforma em modismo, ou um produto, ou ainda uma ideologia que precisa de público para ganhar afirmação ou espaço.

Tem até nome este processo editorial, chama-se Publieditorial. Na prática, de acordo com o código de ética da publicidade – se existisse efetivamente um atuante – a fonte divulgadora deveria informar ao leitor que aquele artigo trata-se de uma propaganda disfarçada, mas isso raramente acontece.

Por isso que tantos produtos, especialmente alimentos ou tratamentos de saúde milagrosos, dos quais nunca antes ouvimos falar, de repente, se tornam tão visíveis na mídia. E logo se transformarão em sonhos de consumo na cabeça do espectador que se recusa a pensar por conta própria.

O artigo pode vir assinado e autenticado por um falso cientista, com falsas bibliografias – lembrando-se do princípio onde o leitor com pressa nunca examina a veracidade das informações que lhe chegam às mãos –, falsos laudos científicos, falsas referências de fontes oficiais, e assim por diante.

E há um fenômeno curioso ocorrendo nesse momento. Na mesma velocidade em que a tecnologia ganha mais espaço em nossas vidas, menos espaço ganha nos cérebros a capacidade crítica de cada um. Questionar deixou de ser importante faz tempo, e o ato de refletir é considerado quase um atentado ao pudor.

Por isso o culto exagerado às coisas inúteis, cuja visibilidade e popularização têm patrocínio da mídia, ganha a cada dia mais força. Aos meios de comunicação não interessa educar, uma vez que é mais fácil puxar pelas rédeas fantoches travestidos de bobos, que projetam no inútil um objetivo de vida.

Mas não interessa à mídia o leitor crítico, aquele consciente do seu papel existencial, que rejeita as bobagens disseminadas como necessidades. Assim, ela investe pesado na desconstrução cognitiva cada vez mais cedo, fisgando o jovem ainda aos pés do berço, quando sua blindagem crítica é praticamente nula.

E eis o maior trunfo da mídia disseminadora das coisas inúteis, depois de patrocinar a remoção do senso crítico de cada indivíduo, ainda é capaz de convencer a todos de que estão progredindo intelectualmente.

Fim do Texto
Editoria de Educação do Site de Dicas.
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Sobre o Autor:
[1] Alberto Silva Filho - albfilho@gmail.com
O autor é um dos organizadores e coordenadores do Site de Dicas.


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Os artigos aqui apresentados, além de refletir nossa opinião sobre os diversos assuntos da atualidade, são resultados de estudos antropológicos e sociais dos nossos pesquisadores, que ora compartilhamos como nosso público leitor.

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