Dicas de Educação
Dicas de Educação
Uma Atividade Mágica para Cultivar o Hábito da Leitura
Autor: Alberto Silva Filho [1]
06 de Novembro de 2015
Série: Dicas para Autorreciclagem
O Hábito da leitura é tão importante na formação de qualquer criança ou jovem que a ele deveria ser conferido o status de Especialidade Acadêmica...
"Educador sem vocação, para uma criança, terá o mesmo efeito que teria a água tóxica para uma planta..."

Você já parou para pensar que, na maioria das vezes, a abordagem mais simples é a mais eficiente?

Veja a seguir uma atividade absurdamente simples, mas capaz de despertar no seu filho ou aluno o gosto pela leitura. Nesse caso abordaremos o processo da leitura de livros. Sobre o indiscutível papel dos quadrinhos como potencializador do hábito de leitura, iremos debater em detalhes em outro artigo.

Cultivando o Hábito da Leitura
O que aconteceria se as crianças pudessem ler para os adultos...?
Cultivando o Hábito da Leitura
O que aconteceria se as crianças pudessem ler para os adultos...?

O primeiro passo é conversar com a criança e descobrir seu gosto literário. Gosto literário significa descobrir com que tipo de assunto, gênero, categoria, ela mais se identifica.

Feito isso, desafie a mesma para leitura. Isto é feito do seguinte modo: Primeiro leia você mesmo um livro sobre o assunto do qual ela gosta. Deixe que ela veja você lendo. Se fizer isso discretamente, sem prévio aviso, o efeito será ainda mais eficaz. Não tente chamar atenção para o fato de estar lendo, especialmente se você não cultiva o hábito da leitura, uma vez que ela é capaz de perceber o artifício e assim seu plano irá por água abaixo.

Se o adulto é do tipo que gosta de ler e ela já sabe disso, então pode agir de forma natural. Ao ler o livro, procure demonstrar as emoções que sente a partir do que está lendo. Isto é: ria, faça comentários baixinho como se estivesse falando sozinho. Se mais alguém estiver presente comente com essa pessoa, e assim por diante. Isso vai deixá-la bastante curiosa.

Ao perceber que vocês gostam da mesma coisa, ela vai receber uma enorme injeção de ânimo e sua autoconfiança e autoestima ganharão pontos extras. "Imagine só, um adulto que têm o mesmo gosto literário que eu...", pensará ela.

Agora o segredo: Quando terminar de ler, não lhe ofereça o livrinho. Ao invés disso, coloque-o em lugar visível. Depois converse com ela sobre outros assuntos, e finalmente sobre histórias do tema que ela prefere. Só então comente sobre o que acabou de ler.

Como isso é feito por partes, a pressa pode estragar tudo. Assim, em outra ocasião, diga que comprou um livro para ela ver. Enfatize, deixe claro, que se trata de uma obra especial.

Importante: Em momento algum a obrigue a ler. Dê-lhe o livrinho e pronto. Pode ser que num primeiro contato ela apenas vá folhear as páginas para explorar o terreno onde vai pisar.

Eis algumas observações importantes. Isso é o que vai determinar o sucesso ou o fracasso do seu plano. Veja bem, não é "aquilo que pode determinar", é "o que vai determinar".

Toda criança, com raras exceções, gosta de livrinhos com:

  • Ilustrações bem feitas. Tem que ser desenhos ou ilustrações. Elas acham fotografias deprimentes e sóbrias demais para seu mundo. Pode até ser uma fuga da realidade, mas é assim, e nesse momento não adianta tentar entender o motivo. Saiba apenas que fotos, para elas, são menos interessantes que as ilustrações.

  • Os desenhos ou ilustrações deverão refletir claramente o que está no texto. Isso serve para que ela seja capaz de associar a escrita com a ideia por trás do contexto, e em cima disso irá tentar criar sua própria concepção através de imagens mentais, a cenografia de toda trama. São importantes as ilustrações, uma vez que servirão de sugestão para a criação das associações necessárias à construção desse cenário. Sozinha ela ainda é incapaz de fazer isso, uma vez que seu cérebro está na fase de construção das associações de palavras com imagens, coisa natural devido a sua pouca experiência de vida.

  • Folhas com pouco texto.

  • Texto claro, de preferência com palavras que ela já conheça – isso não é obrigatório.

  • Livro com poucas páginas; uma média de 15, para as crianças menores.

E assim, é chegado o momento da ação. De posse do livro, após tê-lo folheado, use então o argumento mágico.

Peça para que Leia o Livrinho dela para você!

Ao fazer isso, demonstre que confia totalmente nela – isso se consegue com a entonação certa da voz; tom firme, normal, como se fosse a coisa mais natural do mundo, sem titubear. Diga também que tem interesse no livro. Nesse ponto, toda insegurança comum numa criança, ao oferecer ou compartilhar alguma coisa de sua preferência com os adultos, tenderá a desaparecer.

Criança com Livro
Uma criança tende a se fortalecer psicologicamente ao sentir-se importante para o adulto...

Durante a leitura, caso deseje, você pode interromper para fazer algum comentário ou questionamento, mas sempre relacionado com a história. Também, antes de começar, diga-lhe que se tiver alguma dúvida sobre o significado das palavras, deve ficar à vontade para perguntar.

Melhor ainda, use seu bom senso e faça comentários complementares sem que ela peça, ao menos sobre aqueles termos que você julgar mais apropriados, e até como uma forma de enriquecer o texto. É importante que você saiba de uma coisa: Ela só vai lhe fazer perguntas se confiar em você, ou ainda se você tiver lhe dado autorização explícita para fazer isso. Está feito, e então ela está pronta e sem mais nenhuma inibição.

Finalmente, seja paciente e nunca a corrija. Diga apenas que não entendeu direito algum parágrafo, etc. Nesse caso, você poderá até pedir para que faça comentários, de acordo com sua própria compreensão.

Poderá ser que durante a leitura ela baixe um pouco a voz o que é normal. Solicite, de forma cordial, sem ordenar, com muito humor e gentileza, que ela fale um pouco mais alto. Para a criança, isso significa que você está de fato interessado na leitura, e sua motivação aumentará ainda mais.

Ao perceber que ela está cansada, peça para fazer uma pausa. Os sintomas de cansaço são: mudança constante na posição do corpo, olhares discretos para os lados tentando mudar o foco dos olhos, respiração inquieta, bocejos, tentativa de deitar no chão ou sofá, ou ainda o ato de folhear o livro contando as folhas faltantes.

Por fim, comente com ela a história que foi lida. É provável que ela não tenha entendido bem o conto, já que apenas crianças maiores conseguem ler para os outros e ao mesmo tempo prestar atenção ao que estão lendo.

Diga que a história foi muito boa, que você gostou. Dê-lhe a sugestão de que ela deve ler sempre que estiver com vontade.

Mesmo que ela não aceite na hora, o que é mais provável, como regra, deixe o livro em local visível e acessível, e incite-a outras vezes para que leia, sem forçar ou exigir. Faça isso em tom de comentário.

É importante você saber que, ao pedir para que fizesse a leitura, além de injetar na mesma uma grande dose de autoconfiança, delegou uma tarefa de gente grande, e gostou do resultado. Isso a fará se sentir importante. Melhor de tudo, essa é a impressão que ela terá de você a partir desse momento. Isto é, doravante, em sua presença, sentir-se-á importante e necessária.

Os efeitos benéficos disso para sua personalidade são definitivos. Assim, a semente do hábito da leitura foi plantada de forma simples, natural, sem as pressões ou conflitos da obrigação; em clima de harmonia, como tudo que é verdadeiro deve ser.

Um último aviso: Peça que leia para você outras vezes, mas não exagere. Dê-lhe mais livros, valorize e incentive a sugestão dela. Acompanhe-a na hora de comprar ou escolher o livro. Use sua criatividade para usar essa mesma abordagem em sala de aula!


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Sobre a Autoria:
[1] Alberto Silva Filho - O autor é orientador de educação infantil e adulta, escritor de contos infantis, e um dos Idealizadores e colaborador fixo do Site de Dicas.
Email: albfilho@gmail.com

Observação: O autor não possui Website ou Blog pessoal na Internet.

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