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Uma Atividade Mágica para Cultivar o Hábito da Leitura

O Hábito da leitura é tão importante na formação de qualquer criança ou jovem que a ele deveria ser conferido o status de Especialidade Acadêmica...
"Na maioria das vezes, a abordagem mais simples ainda é a mais eficiente..."
Uma Atividade Mágica para Cultivar o Hábito da Leitura

O que aconteceria se as crianças pudessem ler para os adultos?

Cultivar o Hábito pela Leitura, um ato que começa com medidas simples...

Veja a seguir uma atividade absurdamente simples, mas capaz de despertar no seu filho ou aluno o gosto pela leitura. Nesse caso abordaremos o processo da leitura de livros. Sobre o indiscutível papel dos quadrinhos como potencializador do hábito de leitura, iremos debater em detalhes em outro artigo.

Trata-se de uma atividade que vai ajudar sua criança ou aluno a tomar gosto pela leitura. As dicas se aplicam às crianças entre 4 e 12 anos de idade, com possibilidade de adaptação para faixas etárias maiores.

O primeiro passo é conversar com a criança e descobrir seu gosto literário. Isto é, você vai precisar saber com que tipo de assunto, gênero, categoria, ela mais se identifica.

Concluída essa etapa, desafie a mesma para leitura. Isto é feito do seguinte modo: Primeiro leia você mesmo um livro que trata de um assunto do qual ela gosta. Deixe que ela veja você lendo. Se fizer isso discretamente, sem prévio aviso, o efeito será ainda mais eficaz. Não tente chamar atenção para o fato de estar lendo, especialmente se você não cultiva o hábito regular da leitura, uma vez que ela é capaz de perceber o artifício, e assim seu plano irá por água abaixo.

Se o adulto é do tipo que gosta de ler e ela já sabe disso, então pode agir de forma natural. Ao ler o livro, procure demonstrar as emoções que sente a partir do que está lendo. Isto é: ria, faça comentários baixinho como se estivesse falando sozinho. Se mais alguém estiver presente comente com essa pessoa, e assim por diante. Isso vai deixá-la bastante curiosa.

Ao perceber que vocês gostam da mesma coisa, ela vai receber uma enorme injeção de ânimo e sua autoconfiança e autoestima ganharão pontos extras. “Imagine só, um adulto que têm o mesmo gosto literário que eu...”, se expressando ao seu modo, ela pensará.

Agora o segredo: Quando terminar de ler, não lhe ofereça o livrinho. Ao invés disso, coloque-o em lugar visível. Depois converse com ela sobre outros assuntos, e finalmente sobre histórias do tema que ela prefere. Só então comente sobre o que acabou de ler.

Como isso é feito por partes, a pressa pode estragar tudo. Assim, em outra ocasião, diga que comprou um livro para ela ver. Enfatize, deixe claro, que se trata de uma obra especial.

Importante: Em momento algum a obrigue a ler. Dê-lhe o livrinho e pronto. Pode ser que num primeiro contato ela apenas vá folhear as páginas para explorar o terreno onde vai pisar.

Antes de começar, Eis algumas observações importantes. Isso é o que vai determinar o sucesso ou o fracasso do seu plano. Veja bem, não é "aquilo que pode determinar", é "o que vai determinar".

Toda criança, com raras exceções, gosta de livrinhos com:

Ilustrações bem feitas. Tem que ser desenhos ou ilustrações. Elas acham fotografias deprimentes e sóbrias demais para seu mundo. Pode até ser uma fuga da realidade, mas é assim, e nesse momento não adianta tentar entender os motivos. Saiba apenas que fotos, para elas, são menos interessantes que as ilustrações.

Os desenhos ou ilustrações deverão refletir claramente o que está no texto. Isso serve para que ela seja capaz de associar a escrita com a ideia por trás do contexto. Em cima disso irá tentar criar sua própria concepção através de imagens mentais, e montar virtualmente a cenografia de toda trama. São importantes as ilustrações, uma vez que servirão de sugestão para a criação das associações necessárias à construção mental de cada ambiente. Sozinha ela ainda é incapaz de fazer isso, uma vez que seu cérebro está na fase de construção das associações de palavras com imagens, coisa natural devido a sua pouca experiência de vida.

Folhas com pouco texto.

Texto claro, de preferência com palavras que ela já conheça – isso não é obrigatório.

Livro com poucas páginas; uma média de 15, para as crianças menores.

E assim, é chegado o momento da ação. De posse do livro, após tê-lo folheado, use então o argumento mágico...

Peça para que a criança Leia o Livrinho dela para você!

Ao fazer isso, demonstre que confia totalmente nela – isso se consegue com a entonação certa da voz; tom firme, normal, como se fosse a coisa mais natural do mundo, e sem titubear. Diga também que tem interesse no livro. Nesse ponto, toda insegurança comum numa criança, do oferecer ou compartilhar alguma coisa de sua preferência com os adultos, tenderá a desaparecer.

Uma criança tende a se fortalecer psicologicamente ao sentir-se importante para o adulto...

Durante a leitura, caso deseje, você pode interromper para fazer algum comentário ou questionamento, mas sempre relacionado com a história. Também, antes de começar, diga-lhe que se tiver alguma dúvida sobre o significado das palavras, deve ficar à vontade para perguntar.

Melhor ainda, use seu bom senso e faça comentários complementares sem que ela peça, ao menos sobre aqueles termos que você julgar mais apropriados, e até como uma forma de enriquecer o texto. É importante que você saiba de uma coisa: Ela só vai lhe fazer perguntas se confiar em você, ou ainda se você tiver lhe dado autorização explícita para fazer isso. Está feito. Ela está pronta e sem mais nenhuma inibição.

Finalmente, seja paciente e nunca a corrija. Diga apenas que não entendeu direito algum parágrafo, etc. Nesse caso, você poderá até pedir para que faça comentários pessoais, de acordo com a compreensão dela.

Pode ser que durante a leitura ela baixe um pouco a voz o que é normal. Solicite, de forma cordial, sem ordenar, com muito humor e gentileza, que ela fale um pouco mais alto. Para a criança, isso significa que você está de fato interessado na leitura, e sua motivação aumentará ainda mais.

Ao perceber que ela está cansada, peça para fazer uma pausa. Os sintomas de cansaço são: mudanças constantes na posição do corpo, olhares discretos para os lados tentando mudar o foco dos olhos, respiração inquieta, bocejos, tentativa de deitar no chão ou sofá, ou ainda o ato de folhear o livro contando as folhas faltantes.

Por fim, comente com ela a história que foi lida. É provável que ela não tenha entendido bem o conto, já que apenas crianças maiores conseguem ler para os outros e ao mesmo tempo prestar atenção ao que estão lendo.

Diga que a história foi muito boa; demonstre o quanto você gostou. Dê-lhe a sugestão de que deverá ler sempre que estiver com vontade.

Mesmo que ela não aceite na hora, o que é mais provável, como regra, deixe o livro em local visível e acessível, e incite-a outras vezes para que leia, sem forçar ou exigir. Faça isso em tom de comentário informal.

É importante você saber que, ao lhe solicitar a leitura, além de injetar na mesma uma grande dose de autoconfiança, delegou uma tarefa de gente grande e gostou do resultado. Isso a fará se sentir importante. Melhor de tudo, essa é a impressão que ela terá de você a partir desse momento. Isto é, doravante, em sua presença, sentir-se-á importante e necessária.

Os efeitos benéficos disso para sua personalidade são definitivos. Assim, a semente do hábito da leitura foi plantada de forma simples, natural, sem as pressões ou conflitos da obrigação; em clima de harmonia, como tudo que é verdadeiro deve ser.

Um último aviso: Peça que leia para você outras vezes, mas não exagere. Dê-lhe mais livros, valorize, incentive, discuta cada sugestão dela. Acompanhe-a na hora de comprar ou escolher os livros. Use sua criatividade para aplicar essa mesma abordagem em sala de aula!

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